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Vale Cultura: como vamos gastar?

CALILA NOTÍCIAS - BA, Artigo de *José Avelange Oliveira, em 18/02/2010

Num país em que 53% dos municípios não têm instituição pública de cultura, a maioria das cidades do semi-árido baiano não representa exceção. Sem museu, sem biblioteca, sem teatro e sem cinema, nós ajudamos a compor os números da exclusão cultural brasileira medida pelo Ipea.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os municípios com mais de 100 mil habitantes (apenas 4% do total) concentram 74% do consumo cultural do Brasil. É possível que esta tenha sido a motivação do Governo Federal para a criação do Vale Cultura que finalmente foi aprovado em dezembro último, pelo Senado.

Após a regulamentação da lei, trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que recebem até cinco salários mínimos terão direito ao vale, no valor de R$ 50, via cartão magnético, para gastar com ingressos de cinema, teatro, museu, espetáculos, livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais. Os aposentados também serão beneficiados com R$ 30, mas em nosso caso de municípios com pouquíssimas alternativas culturais cabe a pergunta: Como vamos usar este recurso extra?

Não resta dúvida de que é possível comprar bons livros, DVDs e CDs, inclusive à distância, quando determinado produto não figurar nas prateleiras de nosso comércio, mas não seria interessante aproveitar a novidade, pagando por um bom espetáculo, uma boa produção cinematográfica local? Bem, não costumamos reconhecer o valor daquilo que é nosso nem temos acesso fácil ao apoio financeiro suficiente para iniciar uma indústria cultural, por menor que seja. Daí a necessidade de começamos a discutir a questão.

O Mandato da Deputada Neusa Cadore acaba de aprovar para Riachão do Jacuípe uma oficina de produção audiovisual, aproveitando o curso de cinema que já é realidade em Pintadas. Está na hora, portanto, da juventude de corpo e de mente se mobilizar. Os ventos aparentam bastante favoráveis. O problema é que a globalização deixou as sociedades locais meio indolentes. As pessoas estão como que hipnotizadas pelos artistas da televisão e não confiam muito no talento local.

De fato, nosso talento bruto precisa ser burilado, mas não precisa ser desconsiderado. Temos dramaturgos, atores, imitadores, humoristas, cineastas em potencial e, com tudo isso, nossas tardes de domingo, especialmente, seguem cheias de vazio e de tédio. Somos um povo que quase não sabe potencializar suas riquezas interiores depositadas pelo Criador para a alegria de todos.

Apesar da exclusão cultural histórica que persiste, os interessados e as interessadas pela área podem começar a se organizar porque tudo já foi bem mais difícil e agora o quadro dá sinais de mudança. Nesse campo do desenvolvimento, como em muitos outros, o que conta, no fim das contas, é o entusiasmo, a força de atores sociais locais. Ter o Vale Cultura é bom. Poder gastá-lo com o produto cultural local, seria melhor ainda.

*José Avelange Oliveira, Membro da Fraternidade Ecumênica Sal & Luz, licenciado em Letras pela Universidade Estadual da Bahia, com qualificação em Psicologia Social pela Escola Superior Aberta do Brasil, e Teologia, pela Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana e colaborador deste site.

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2 comentários

  • Marcos Oliveira

    6 de janeiro de 2011

    Muito bacana a iniciativa do Ministro da cultura Juca Ferreira! É desse tipo de atitude que precisamos para enriquecer o nosso país!
    Como posso adquirir o “Vale cultura”?

    RESPOSTA por contate4cultura@gmail.com: Olá Marcos, há um equívoco na matéria. O vale-cultura ainda está em fase votação pelo Congresso Nacional.

  • Vale Cultura: como vamos gastar? » Vale Cultura

    24 de fevereiro de 2010

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