Os ecos da reunião realizada em Brasília, semana passada, marcando o início das relações institucionais do Ministério da Cultura com a moda, a arquitetura e o design reverberam.
O estilista Ronaldo Fraga, um dos presentes ao encontro, nos contou ontem que mais uma conferência foi marcada para o início de abril. “Esperamos a adesão de mais estilistas a este processo, porque apenas 10% do setor produtivo foi à capital federal para o encontro. A turma escaldada com promessas precisa entender que não vamos pedir dinheiro para o desfile do Zé das Couves com uma gostosona na passarela.
Estamos discutindo, finalmente, a possibilidade da moda ser considerada Cultura nesse país”, disse. Acrescenta ainda que os pontos mais importantes a serem discutidos e contemplados pela lei, segundo ele, são a catalogação e o registro da história da moda no país e a formação e capacitação de pessoal.
Lembrou ainda a realidade de que um profissional, hoje, se quiser fazer um livro sobre moda não consegue incentivo.
O próprio Ronaldo é um exemplo disso. Teve negado por ter vezes, pelos entraves burocráticos do governo federal, projeto de livro e exposição sobre moda e o rio São Francisco, tema de sua coleção para o Verão 2009. “Refizemos todo o projeto até ser aprovado e ele está totalmente focado em educação e cultura. Vai ser inaugurado em julho, no Palácio das Artes, em BH. Pesquisamos as lendas, as cidades ribeirinhas e vou convidar a todos a navegar em imagens da nascente até a foz do rio. Um verdadeiro mergulho na arte contemporânea do São Francisco”. E a moda, Ronaldo? “Serve como pano de fundo para a costura desse grande rio”, atesta, acrescentando: “As gerações futuras não vão ter esse questionamento absurdo se moda é Cultura ou não”.
Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.