Perdemos hoje um de nossos parceiros mais dedicados à afirmação de horizontes institucionais para a cultura brasileira. István Jancsó foi um intelectual empenhado em missões públicas, professor de gerações de historiadores e pensadores.
Foi o braço direito de José Mindlin na edificação da Brasiliana USP, algo que transformou-se, desde sua gestão no Instituto de Estudos Brasileiros, em prioridade de sua vida, hoje tornando-se uma realidade para o benefício de toda a sociedade.
Com Mindlin, desenvolveu o projeto de tornar um acervo de excelência disponível para toda a população. A grandeza deste projeto, sediado na USP e realizado em parceria com o Ministério, fruto da afinidade de nossos valores, é reflexo da visão generosa que possuía do Brasil e das instituições.
Sua colaboração foi algo vital para impulsionar no Ministério da Cultura, desde o início da gestão de Gil, uma ação de fomento ao pensamento crítico e a interpretação do Brasil, o que se traduz, entre outras coisas, no banco de dados sobre revistas culturais brasileiras dos Séculos XIX e XX que está sendo digitalizado e em breve estará no ar para consultas pela Internet.
István incorporou a cultura digital estimulando redes de pesquisa e estimulando a criação de um modelo brasileiro de compartilhamento de documentos e obras raras. Foi um intelectual engajado na decifração de um país que para ele era um “enigma” humano e histórico.
Deixa para todos o exemplo de uma vida à serviço de um projeto para o Brasil, que o Ministério entendeu e buscou compartilhar com esse mestre da historiografia brasileira e da vida pública de nosso país. Para mim, a certeza é de que perdi, além de um memorável ex-professor, um verdadeiro amigo.
Juca Ferreira
Ministro de Estado da Cultura
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