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Estudantes cada vez mais longe de acervos públicos

A Crítica - AM, em 05/04/2010

Alunos de escolas públicas e particulares do Centro da Cidade, algumas a poucas quadras da Biblioteca Pública do Amazonas, Patrimônio Histórico estadual, não sabem onde encontrar as obras do acervo de mais de cem mil livros que foi retirado do prédio durante a reforma e espalhado por outras cinco bibliotecas em diferentes bairros de Manaus.

Pais e estudantes do Colégio Dom Pedro II – que foi a primeira sede da biblioteca e fica a menos de duas quadras do prédio, fechado para reforma desde novembro de 2007 – reclamaram da dificuldade para localizar os livros do acervo, reflexo da desorganização e falta de informação ao público. “Para encontrar um livro é preciso andar a cidade toda. Sem carro, é um incentivo a não pesquisar”, criticou Cristina Mara dos Santos, mãe da aluna Ana Luiza, 15.

Para ela, os obstáculos no acesso ao acervo da biblioteca – que só começou a ser reformada em agosto do ano passado – colaboram para que os estudantes percam o interesse na pesquisa e recorram à Internet.

O aluno do primeiro ano do ensino médio do Colégio Dom Pedro II, Emerson Ribeiro, 16, nem sabia que a Biblioteca Pública do Amazonas existia, mesmo estudando há dois anos no Centro e passando, diariamente, ao lado do prédio em reforma. “Pensei que era um prédio abandonado. Se estivesse funcionando, facilitaria os estudos, pois fica perto da escola e o livro é uma fonte mais segura do que a Internet”.

A falta de informação sobre a destinação dada aos livros que pertencem ao acervo da Biblioteca Pública não atinge apenas os estudantes e antigos usuários. Até mesmo funcionários de algumas bibliotecas para onde foram levadas as obras desconhecem tal “tranferência”.

Na biblioteca Mário Ypiranga, no Centro Cultural Povos da Amazônia, Crespo, para onde a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) informou ter levado as obras raras, a bibliotecária negou que tais obras estivessem lá, alegando que elas estariam na biblioteca Arthur Reis, no Centro. Entre as obras raras está o missal manuscrito em pergaminho pelos copistas de Monte Cassino, uma das 60 que não foram destruídas no incêndio de 1945, que reduziu a cinzas todo o acervo mantido pela Biblioteca Pública.

Já na biblioteca Arthur Reis, no Centro, para onde a SEC disse ter levado o acervo da biblioteca Luso-Brasileira, as funcionárias negaram tal informação e disseram não saber onde estavam os livros retirados da Biblioteca Pública. “Mas para cá não veio nenhum”, disseram.

A única biblioteca onde os atendentes souberam informar sobre o “paradeiro” dos livros da Biblioteca Pública foi a de Artes, que fica no Sambódromo, que recebeu os acervos de Artes, Geral e Literatura.

Acesso difícil

No Centro Cultural Palácio da Justiça, Centro, para onde foi o acervo de jornais, a maior dificuldade é ter acesso a eles. Para consultar o acervo, as funcionárias exigem a apresentação de uma autorização escrita, que deve ser solicitada na biblioteca Arthur Reis. “É preciso fazer uma verdadeira peregrinação para encontrar e poder ler esses livros”, criticou Cristina.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinf) não enviou resposta sobre a reforma, prazos, custos, melhorias e se as características foram mantidas.

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