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Mal na foto das bibliotecas

A Notícia, em 03/05/2010

JOINVILLE TEM O MENOR NÚMERO DE BIBLIOTECAS PARA CADA 100 MIL HABITANTES NO ESTADO, APONTA CENSO DO MINISTÉRIO DA CULTURA. PREFEITURA ARGUMENTA QUE ESPAÇOS PÚBLICOS PARA LEITURA E PESQUISA NA CIDADE NÃO FORAM CONTABILIZADOS

Joinville é a cidade catarinense com o pior índice de bibliotecas por 100 mil habitantes (0,20). Esta foi a avaliação do 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais. A cidade com melhor índice no Estado é Balneário Camboriú (0,97). No Sul do Brasil, Curitiba tem o melhor índice: 2,97. Já Santa Catarina é um dos Estados que se destacam no censo: é o segundo no ranking nacional, com índice de 4,52.

A pequisa, desenvolvida pelo Ministério da Cultura, mostra que Joinville tem apenas duas estruturas públicas – a Biblioteca Rolf Colin, no Centro, e a Professor Gustavo Ohde, em Pirabeiraba – para atender a uma população de quase 500 mil moradores. A coordenadora das bibliotecas públicas da cidade, Alcione Pauli, afirma que a pesquisa deixou de contabilizar espaços em instituições de ensino e entidades públicas na cidade, que estão disponíveis para o acesso da população à pesquisa bibliográfica.

Entre os locais abertos à comunidade joinvilense e que não entraram no levantamento do Ministério da Cultura, ela destaca as do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj), as ligadas à Fundação Cultural – Casa Museu Fritz Alt, Casa da Cultura, Museu de Artes, Museu de Sambaqui e Arquivo Histórico. Além disso, relaciona as bibliotecas da Univille e da Udesc, que têm suas estruturas para pesquisa abertas não apenas aos universitários, mas à comunidade externa. Em todas elas, só não é permitido o empréstimo das obras e documentos, apenas consultas no local.

Alcione conta que, entre os projetos feitos em parceria com o governo federal, está o Programa Arca das Letras, desenvolvido nas comunidades da Estrada Blumenau, Alto Quiriri e Morro do Amaral. Outro projeto é o Casa Brasil, que segue o mesmo foco da aproximação dos livros com a população e é desenvolvido nos bairros Jarivatuba e Jardim Iririú. Ela explica que a proposta destes projetos é chamar a atenção da comunidade para os espaços, que antes eram pouco acessíveis para a pesquisa e agora estão disponíveis e podem ser aproveitados pela população.

“O objetivo é fazer com que haja descentralização do acesso aos livros”, ressalta a coordenadora das bibliotecas públicas da cidade. Além da existência das bibliotecas de referência – Rolf Colin e Gustavo Ohde – a Prefeitura de Joinville pretende fazer um trabalho com as secretarias regionais. O projeto piloto será na sede da regional do bairro Vila Nova. A previsão é de que ainda este ano ela esteja atendendo aos moradores com livros que serão disponibilizados para pesquisa e leitura.

O censo do Ministério da Cultura, realizado em todos os 5.565 municípios brasileiros – em 4.905 municípios foram realizadas visitas in loco para a investigação sobre a existência e condições de funcionamento – serviu de base para que fosse lançado um projeto para melhorar e ampliar o número de bibliotecas no País. Alcione explica que Joinville faz parte do projeto de estímulo a melhorias nesse setor, por meio do Programa Cidade do Livros.

A iniciativa estimula ações de educação desenvolvidas nas bibliotecas existentes como contação de histórias, integração dos acervos públicos com os escolares, disponibilização de acervo em braile e também a proposta de melhorias dos prédios onde ficam as bibliotecas. “Temos uma proposta de ampliação da Rolf Colin. Mas não queremos fazer desta biblioteca um elefante branco. A ideia é expandir e diversificar o acesso nos bairros”, reforça Alcione.

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