A histórica Aldeia de Carapicuíba, fundada pelo Padre José de Anchieta por volta de 1580, abriga uma importante ONG criada para a formação de crianças e jovens em cidadãos responsáveis, por meio de elementos da cultura brasileira. Maria Amélia Pereira, a Péo, percebeu a demanda por atividades culturais na periferia de Carapicuíba e criou, em 1996, a Associação da Aldeia de Carapicuíba (OCA), cujo trabalho é desenvolver a compreensão de cidadania e expressões culturais para a comunidade.
O trabalho socioeducativo da OCA é voltado para a valorização da cultura brasileira. As atividades desenvolvidas com jovens de 4 a 24 anos abordam repertórios gestual, plástico, musical e literário ligados às manifestações artísticas brasileiras. São desenvolvidas oficinas de dança, música, artes, artesanato, confecção e brincadeiras, criando uma oportunidade do exercício de cidadania e criatividade para crianças e adolescentes.
A Associação também faz um trabalho de resgate das tradições da comunidade, marcada pela história de Carapicuíba – a aldeia era ponto de passagem de bandeirantes em direção ao interior. Em 1941, as casas moldadas em taipa de mão e a capela feita para catequizar os índios no fim do século XVI foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A OCA se localiza dentro do Parque Ecológico e Cultural da Aldeia de Carapicuíba, numa das casas tombadas pelo Iphan. A nova sede, que ficou pronta em fevereiro de 2008, foi construída integralmente com madeira certificada de reflorestamento e abriga um espaço adequado para as atividades.
Em 2000 a Associação foi reconhecida como ONG e, conforme foi crescendo, integrou muitos professores aos seus projetos. A OCA se tornou Ponto de Cultura por meio de um dos primeiros editais do estado de São Paulo, ocorrido em 2005.
O trabalho dos educadores da Associação rendeu muitos frutos: em 2006 foi finalista do prêmio Cultura Viva, na área de manifestação tradicional e semifinalista em 2007, no Projeto Escola Viva. Ano passado, concorreu como finalista no Prêmio Asas, por demonstrar avanço do processo cultural da Rede de Pontos de Cultura.
A OCA também ganhou muitos prêmios, como o Ponto de Leitura, com a doação de 500 exemplares para o acervo da Associação; Intercâmbio Ponto a Ponto, em que dois jovens da OCA fizeram intercâmbio com dois jovens de Recife para compartilhar conhecimentos; e o Prêmio Intervenções Artísticas, com o músico Paulo Padilha atuando na entidade. Padilha e o grupo Si Toca, formado por jovens do Ponto de Cultura, abriram a última Virada Cultural de São Paulo com o espetáculo Si Mi Ré Lá, no CEU Butantã.
Mas o maior prêmio, para a educadora Lucilene Silva, é ver que o trabalho deu certo, a formação de jovens tornou-se um ciclo na OCA. “Nossas crianças cresceram e continuaram aqui. Hoje são jovens que se tornaram monitores e educam outra geração de crianças.”
Uma das parcerias da Associação, com o Teatro Brincante, contribui na formação de jovens. O Centro de Formação de Educadores Brincantes atende aos professores das redes municipal e particular de escolas e garante aos jovens a oportunidade de estagiar, estudar para desenvolver atividades com outras crianças, não só na ONG, mas em outras comunidades e associações.
Apesar de o foco da Associação ser crianças e adolescentes, a OCA desenvolveu outras atividades destinadas aos adultos. “Fazemos um trabalho com as mães dos alunos, que ajudam na confecção de figurinos, adereços e artesanatos. Felizmente temos um diálogo muito próximo com os pais das crianças”, explica a educadora.
A ONG também dispõe aulas de alfabetização para adultos, e dividiu as sessões de cinema entre adultos e crianças. “Realizamos duas sessões por semana, uma para crianças e outra para adultos. Buscamos exibir filmes de qualidade, que proporcionem a discussão”, enfatiza.
Para Lucilene Silva, a maior dificuldade da OCA é a questão da sustentabilidade. “O trabalho de educação não gera renda. Então, buscamos captar recursos, entramos em todos os editais que podemos. Na ONG, eu sou professora, captadora, coordenadora e psicóloga. Nossa equipe é pequena, por isso assumimos muitos papéis.”
As parcerias, contribuições e prêmios ajudam muito na manutenção do trabalho da OCA. Vários projetos e a reforma do espaço da Associação só foram possíveis com muito trabalho. Lucilene garante: “Nossa única dificuldade é a captação de recursos. Mas a formação com a comunidade, o trabalho com os jovens, nós tiramos de letra.”
Texto: Jaqueline Ogliari – RRSP/MinC
Foto: Ponto de Cultura OCA

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