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Políticas culturais foram “iluminadas”, avalia Juca Ferreira

Terra Magazine, 26/05/2010

Deolinda Vilhena

De Salvador (BA)

O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, deu o tom da cerimônia de abertura do VI ENECULT – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – hoje pela manhã em Salvador, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ao lembrar da série de eventos realizados essa semana na capital soteropolitana: “Serão dez dias de tantos eventos significativos, além do ENECULT, temos o II Encontro Iberoamericano de Ministros da Cultura para uma Agenda Afrodescendente nas Américas e a Caravana da Anistia de Glauber, que faz de tudo isso um verdadeiro carnaval do pensamento.”

O encontro contou com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que, em seu discurso lembrou que, apesar do momento positivo que o Brasil vive no cenário mundial, ainda “carregamos fardos de mazelas da nossa constituição histórica, como o preconceito racial” e que é preciso se libertar disso para valorizar nossa diversidade e identidade cultural.

Segundo ele, as políticas desenvolvidas pelo Ministério da Cultura foram “iluminadas” pela necessidade da mudança de paradigmas. “Mesmo com a inclusão de 30 milhões de brasileiros na classe média graças às políticas e ações desenvolvidas pelo governo Lula, a maior parte da nossa população ainda não tem acesso à lazer qualificado, ou seja, à cultura.”

O reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Naomar de Almeida Filho, saudou a presença da “bancada da cultura”, na verdade, eram apenas três os parlamentares presentes: Emiliano José (PT), deputado, e as vereadoras de Salvador Vânia Galvão (PT) e Olívia Santana (PCdoB).

Logo em seguida à cerimônia de abertura, começou a Mesa Redonda sobre “Políticas Culturais do Governo Lula”. Os palestrantes foram os professores Renato Ortiz, Albino Rubim e Giuseppe Cocco. Danilo dos Santos Miranda, diretor regional do SESC mandou e-mail cancelando sua vinda alegando problemas de saúde.

Apesar dos nomes presentes o Salão Nobre da Reitoria não estava lotado. O Reitor Naomar de Almeida Filho, que está encerrando seu reitorado, disse em seu discurso que encontrou “uma universidade desculturalizada e está entregando uma universidade com um eixo de produção acadêmica. Uma agitação cultural. Dois fatores contribuíram para isso. Primeiro, o Programa de Ações Afirmativas, que gerou as cotas étnicas e mexeu com a UFBA. Segundo, o apoio do Governo Lula às federais.”

Segundo Naomar Almeida “durante 30 anos a UFBA ofereceu anualmente ridículas 3 mil vagas. O campus de Ondina era um deserto à noite. Hoje, tem gente reclamando que o campus de Ondina tem engarrafamento.”

Deolinda Vilhena é jornalista, produtora, Doutora em Estudos teatrais pela Sorbonne, pós”doutoranda em Teatro na ECA/USP com bolsa da FAPESP.

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