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Os perigos na revisão dos direitos autorais (Editorial)

O Globo, 27/06/2010

Os perigos na revisão dos direitos autorais (Editorial)

Chamada de capa

O anteprojeto de alteração da Lei de Proteção aos Direitos Autorais, do Ministério da Cultura, em audiência pública até 27 de julho, não é apenas mais uma iniciativa de regulação por parte do governo. Está em questão, na realidade, um tema fundamental em qualquer sociedade moderna: a amplitude do respeito à propriedade dos conteúdos e a remuneração de seus produtores. Depende do maior ou menor respeito ao Direito Autoral o estágio de desenvolvimento das nações.

Não é por acaso que o mais pujante sistema produtivo já criado pela Humanidade, em termos de produção propriamente dita e também em inovação (pesquisa e tecnologia), se baseia no reconhecimento da propriedade privada em geral e, em particular, na segurança jurídica concedida a empreendedores, inventores e artistas para usufruir suas obras. A proposta de mudanças nesta lei, portanto, tem de ser examinada e debatida com a atenção e profundidade necessárias.

Mesmo porque o MinC, no governo Lula, se notabiliza por ser um polo de pensamento dirigista e intervencionista. Foi assim com Gilberto Gil à frente do ministério, continuou da mesma forma sob as rédeas de Juca Ferreira.

E o anteprojeto faz jus à cultura estatista fermentada nestes sete anos e meio de MinC. Para os mal informados, qualquer coisa que se faça para vigiar o Ecad, sigla, com razão, considerada pelos músicos sinônimo de descaminhos, merece apoio.

Depende. Devido ao viés ideológico do MinC, o anteprojeto está contaminado de ideias como a do “controle social” – sempre este chavão – do artista sobre sua obra. Também devido a cacoetes ideológicos, propõe-se que o Estado aja para mediar a relação entre produtores de conteúdo e os “intermediários” ou “atravessadores”, entendidas como tais as empresas privadas que vivem de difundir conteúdos. Mais uma vez, entram na mira do MinC os grupos de comunicação, assim como editoras, gravadoras etc.

A proposta de mudanças chega a se arriscar em áreas delicadas, como a da propriedade de notícias, centro de grande conflito mundial entre produtores e difusores de conteúdos (mídia impressa, TVs e rádios) e mecanismos de busca, como Google, máquinas de ganhar dinheiro com mercadoria alheia, capturada e distribuída sem a devida remuneração.

Pois, para o MinC, “as notícias diárias que têm o caráter de simples informações de imprensa” não estarão protegidas pela lei debados Direitos Autorais. Trata-se de preocupante dispositivo.

O curioso é que o mesmo Projeto que visa a defender direitos do produtor de conteúdos amplia os casos em que qualquer obra pode ser utilizada sem a autorização do autor.

E quando procura defender os autores, o faz de tal forma que os fragiliza. É o que acontecerá caso venha a ser aprovado o artigo pelo qual os direitos do autor poderão ser renegociados no futuro, “em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis”.

O sucesso inesperado de um livro, por exemplo. Se o conceito tem lógica, colocá-lo em uma lei pela qual o Estado pretende intervir no relacionamento entre produtores e difusores de conteúdos significa estreitar o mercado para os autores, devido à insegurança jurídica criada. Repete-se a síndrome da CLT: a protetora dos trabalhadores que trava o crescimento do emprego formal, tais os custos existentes para o empregador.

MinC esclarece: O Ministério da Cultura agradece a disposição do jornal O Globo em participar do debate público sobre a modernização do direito autoral, demonstrada pelo editorial deste domingo (27/6). No entanto, convidamos o veículo a participar dessa discussão despindo-se de ideias pré-concebidas em relação ao governo federal e atentando à realidade do texto da lei. Por exemplo, não há, no anteprojeto de lei a expressão “controle social”, citada entre aspas no referido editorial. O que há é a proposta, inserida nos artigos 98 a 100b, de tornar transparente o sistema de arrecadação de direitos de autor no Brasil, face às constantes reclamações de artistas, criadores e usuários.

O trecho citado pelo jornal sobre “notícias diárias” já faz parte da Convenção de Berna, tratado internacional sobre o tema do qual o Brasil é signatário desde 1923. Não se trata, portanto, de nenhuma novidade. Outro trecho da lei, citado pelo veículo no editorial, referente a “acontecimentos extraordinários e imprevisíveis”, já faz parte do Código Civil Brasileiro.

Portanto, se o jornal O Globo tem alguma contribuição à proposta de modernização da Lei de Direito Autoral feita pelo Ministério da Cultura, agradeceríamos recebê-las na consulta pública colocada no ar em www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral

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4 comentários

  • MinC se manifesta sobre o editorial do jornal O Globo sobre a revisão da LDA «

    29 de junho de 2010

    [...] Não é por acaso que o mais pujante sistema produtivo já criado pela Humanidade, em termos de produção propriamente dita e também em inovação (pesquisa e tecnologia), se baseia no reconhecimento da propriedade privada em geral e, em particular, na segurança jurídica concedida a empreendedores, inventores e artistas para usufruir suas obras. A proposta de mudanças nesta lei, portanto, tem de ser examinada e deba tida com a atenção e profundidade necessárias. Mesmo porque o MinC, no governo Lula, se notabiliza por ser um polo de pensamento dirigista e intervencionista. Foi assim com Gilberto Gil à frente do ministério, continuou da mesma forma sob as rédeas de Juca Ferreira. Leia mais… [...]

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    29 de junho de 2010

    [...] Ministério da Cultura – MinC » Os perigos na revisão dos direitos autorais (Editorial) cultura.gov.br/site/2010/06/27/os-perigos-na-revisao-dos-direitos-autorais-editorial/ – view page – cached Ministério da Cultura – Brasil – http://www.cultura.gov.br Tweets about this link Topsy.Data.Twitter.User['brunacampos'] = {“photo”:”http://a1.twimg.com/profile_images/603354774/euprotwitter_Background_normal.jpg”,”url”:”http://twitter.com/brunacampos”,”nick”:”brunacampos”}; brunacampos: “@joaocampos_ms RT @dirceusr: Vale a leitura do editorial de "O Globo" sobre a #reformalda #revisaolda http://bit.ly/bmSuH5 ” 22 minutes ago retweet Topsy.Data.Twitter.User['brunacampos'] = {“photo”:”http://a1.twimg.com/profile_images/603354774/euprotwitter_Background_normal.jpg”,”url”:”http://twitter.com/brunacampos”,”nick”:”brunacampos”}; brunacampos: “Atenção, autores, Repassem. RT @dirceusr: Vale a leitura do editorial de O Globo sobre a nova lei de direitos autorais http://bit.ly/bmSuH5 ” 25 minutes ago retweet Topsy.Data.Twitter.User['brunacampos'] = {“photo”:”http://a1.twimg.com/profile_images/603354774/euprotwitter_Background_normal.jpg”,”url”:”http://twitter.com/brunacampos”,”nick”:”brunacampos”}; brunacampos: “Atenção, @eulercoelho @marcoaurelio05 @flavinhocoelho, LEIAM. Os perigos na revisão dos direitos autorais (Editorial) http://bit.ly/aXDJMu ” 26 minutes ago retweet Topsy.Data.Twitter.User['dirceusr'] = {“photo”:”http://a1.twimg.com/profile_images/56571034/DSC_6036_1_normal.JPG”,”url”:”http://twitter.com/dirceusr”,”nick”:”dirceusr”}; dirceusr: “Vale a leitura do editorial de "O Globo" sobre a #reformalda #revisaolda http://bit.ly/bmSuH5 ” 33 minutes ago retweet Filter tweets [...]

  • Taller de trabajo CopySouth – Día 1 « Fundación Vía Libre

    28 de junho de 2010

    [...] Abrieron la charla inicial Alan Story, Debora Halbert y Nanci Oddone, recordando la importancia de que este WorkShop se realice en Río de Janeiro, Brasil, donde desde hace tres anios hay un proceso abierto de reforma de la Ley de Derechos de Autor, que en las últimas semanas abrió la consulta pública, que finalizará el 28 de julio de este año, y si todo sale bien, será aprobada también este año. Casualmente, el mismo día de arribo a Brasil salía una nota en O Globo, un diario local de Río de Janeiro, titulada “Los peligros de revisar la ley de derecho de autor” [...]

  • Consulta Direito Autoral

    28 de junho de 2010

    [...] Não é por acaso que o mais pujante sistema produtivo já criado pela Humanidade, em termos de produção propriamente dita e também em inovação (pesquisa e tecnologia), se baseia no reconhecimento da propriedade privada em geral e, em particular, na segurança jurídica concedida a empreendedores, inventores e artistas para usufruir suas obras. A proposta de mudanças nesta lei, portanto, tem de ser examinada e deba tida com a atenção e profundidade necessárias. Mesmo porque o MinC, no governo Lula, se notabiliza por ser um polo de pensamento dirigista e intervencionista. Foi assim com Gilberto Gil à frente do ministério, continuou da mesma forma sob as rédeas de Juca Ferreira. Leia mais… [...]