sábado, 4 de fevereiro de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Oficinas com os Mestres

Experiências tradicionais são destaques no segundo dia do Encontro dos Saberes

Folia de Reis do Vale do Paraíba, Marechal de Cunha (SP)

Folia de Reis do Vale do Paraíba, Marechal de Cunha (SP)

O Auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília esteve lotado nesta quarta-feira, 14 de julho, para o segundo dia do Seminário Internacional A inclusão das Artes e dos Saberes Indígenas, Afro-Americanos e Tradicionais na Universidade. O evento, a primeira etapa do Projeto Encontro de Saberes, lançado no último dia 13, com o objetivo de incluir no ensino superior, como docentes, os mestres e mestras dos saberes indígenas, afro-brasileiros e tradicionais, é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, e da Universidade de Brasília.

Na ocasião, foram apresentadas as iniciativas já realizadas no Brasil e na América Latina de inclusão de protagonistas de conhecimentos tradicionais no ensino superior por meio de cursos, disciplinas ou programas de extensão. Mas o grande destaque foi a presença dos mestres tradicionais de culturas populares e indígenas que também falaram aos presentes sobre as experiências de seus ofícios na comunidade onde moram.

Além de descreverem como realizam o trabalho, os mestres fizeram interferências culturais com apresentações de congado, cavalo marinho e de cantos indígenas. O Seminário foi encerrado com a apresentação do mestre da viola, de Formosa (GO), Badia Medeiros, acompanhado por um grupo de dança de catira, lundu e curraleira.

O Projeto entra hoje (dia 15), em sua segunda etapa, com a realização de oficinas de trabalho que contarão com a participação dos mestres, de docentes da universidade e de especialistas convidados. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, estará presente numa cerimônia institucional que acontecerá no Auditório da Reitoria, às 19h, dentro da programação das Oficinas com os Mestres.

As experiências

Auditório Dois Candangos Lotado

Auditório Dois Candangos Lotado

O Seminário Internacional começou, na parte da manhã, com a apresentação das cinco experiências internacionais. O reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador, Luis Fernando Sarango, falou da luta pela construção da escola, concretizada em 2004, onde é desenvolvido o projeto de universidade intercultural bilíngue das comunidades e povos indígenas equatorianos. Segundo ele, a criação da universidade, aberta a índios e não índios, retrata um processo de descolonização dos povos indígenas daquele país. “A universidade não é pública e apesar de não termos recursos do governo, temos a ajuda de toda a comunidade”, contou.

Paraguai, Argentina e Colômbia também apresentaram suas experiências. No período da tarde foram mostrados mais cinco projetos que estão sendo desenvolvidos no Brasil. Dentre eles, o que resgata as técnicas de produção de embarcações tradicionais maranhenses. O projeto, apresentado pelo diretor do Centro Vocacional Tecnológico Estaleiro Escola do Maranhão, Luiz Phelipe Andrés, tem ainda como objetivo preservar os conhecimentos tradicionais e valorizar os mestres fabricantes das embarcações. Atualmente, quatro mestres de ofício são professores na escola, cuja primeira turma de jovens aprendizes da profissão se forma no próximo mês de agosto.

Benki Ashaninka - Presidente do Centro Saberes da Floresta (Yorenka Ãtame), do Povo Ashaninka (AC). Desenvolve um trabalho de conhecimento da floresta comprometido com a proteção ambiental e o reflorestamento

Benki Ashaninka - Presidente do Centro Saberes da Floresta (Yorenka Ãtame), do Povo Ashaninka (AC).

Sete mestres dos saberes tradicionais também contaram sobre os trabalhos desenvolvidos por eles junto às suas comunidades. Lucely Pio, Mestra raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro (GO), destrinchou o seu conhecimento [herdado da avó], sobre a utilização de chás e raízes para a cura de doenças. Ela é autora do livro Farmacopéia do Cerrado, e integrante da Articulação Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado – o trabalho da instituição envolve raizeiros de quatro estados (GO, TO, MA, e MG) que produzem remédios para 125 farmacinhas naturais espalhadas pelo país. “Nós fazemos também um trabalho junto às comunidades para tentar resgatar o conhecimento dos raizeiros e mostrar a importância do seu ofício para a cura das doenças”, afirmou a Mestra.

O Encontro de Saberes tem, ainda, a parceria do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, órgão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também apoia a iniciativa.

Última etapa

O Projeto terá ainda uma terceira etapa que é a Residência. Nesse período, os mestres de artes e ofícios populares e indígenas terão aulas em diversos cursos da UnB e elaborarão, com os mestres científicos, o processo de construção da disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. A matéria, ministrada por cinco mestres de saberes tradicionais, constará da grade regular da UnB a partir do segundo semestre e poderá ser cursada por todos os alunos da universidade.

Leia também: Saberes Tradicionais.

(Heli Espíndola, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Pedro França/MinC)

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