Entrevista com três jovens de diferentes nacionalidades, integrantes do Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial da Unesco, que este ano está sendo realizado no Brasil e coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan/MinC).
Os estudantes foram selecionados em um concurso de projetos sobre o Patrimônio Mundial realizado pelo Iphan, na Internet, juntamente com outros 42 jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, procedentes de vários países latino-americanos.
Eles estão percorrendo o país em visita a quatro sítios registrados na lista dos bens da humanidade – Parque Nacional do Iguaçu (PR), Missões Guaranis (RS e Norte da Argentina), Cidade de Goiás (GO) e Brasília (DF) –, para conhecer os monumentos, colher impressões e informações que serão utilizadas na redação da Carta de Brasília.
O documento, com sugestões de melhorias para estes locais , será entregue à Unesco na abertura da 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, a ser realizada em Brasília no próximo dia 25.
Veja o que pensam sobre o evento Lucía Rosich (18 anos, uruguaia, estudante de Ciências Econômicas e de Psicologia na Universidade Pública do Uruguai), Maria da Penha Teixeira (19 anos, brasileira, estudante do ensino médio, educadora social e aprendiz de Griô no projeto Cultura Viva, do Ministério da Cultura) e Brian Ignez Bejarano (18 anos, paraguaio, estudante do ensino médio, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paraguai),
Vocês acham importante a realização de um projeto como o do Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial?
Brian – Sim, porque é um espaço onde os jovens são protagonistas. Emitem ideias que depois podem ser aplicadas em seus países. É um espaço onde discutimos como elaborar políticas socioeducativas. Os jovens serão agentes multiplicadores de ideias a respeito do patrimônio mundial.
Maria da Penha – Acho. Este evento é um incentivo a mais para o meu trabalho no Vale do Gramame, para levar a eles novos conhecimentos e também trazer um pouco da nossa Cultura para outras comunidades conhecerem. Acho importante, também, para influenciar no processo de criação de políticas públicas voltadas para a Educação. Tanto para a Educação formal como para a não formal, como prática de compartilhamento da memória dos povos.
Lucía – Sim. Acho que o Fórum pode causar algum impacto sobre o patrimônio mundial, de recuperação da cultura social na Educação. Isto é importante para a proteção do patrimônio mundial no futuro, porque a conservação depende da consciência. Atualmente, as pessoas estão muito afastadas destes princípios, mais preocupadas com o trabalho e com a própria sobrevivência.
O que representa para vocês participar de um evento como este?
Brian – É um evento de reflexão, um cenário para conhecer o patrimônio cultural do Brasil. É uma oportunidade para interpretar a relação da sociedade com o patrimônio e também uma oportunidade para levar a experiência exitosa do Brasil com as políticas públicas sobre patrimônio para o meu país.
Maria da Penha – Sinto-me orgulhosa. Principalmente porque sou de uma comunidade quilombola, lá do interior da Paraíba, e fui convidada pelo Ministério da Cultura para discutir patrimônio mundial.
Lucía – É um orgulho, uma oportunidade de estar reunida com jovens de diferentes regiões e nacionalidades e ver que existem singularidades. Para mim, é importante saber que existem jovens preocupados em manter o que existe de bom em suas culturas, apesar de toda a globalização.
(Texto e fotos: Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC)

Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.