VISUAIS
Primeira iniciativa é um espaço para artista cubano na mostra baiana
DANIELA CASTRO
Boas novas para os autores dos 109 trabalhos selecionados para a décima edição da Bienal do Recôncavo. Além de oferecer uma residência de três meses na Itália, prêmio já tradicionalmente reservado ao vencedor, a mostra contemplaráumde seus participantes com um novo intercâmbio internacional, desta vez em Cuba.
A novidade é fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura brasileiro e o Centro de Arte Contemporânea Wifredo Lam, que responde pela realização da Bienal de Havana.
O ministro Juca Ferreira, responsável pelo início desta ponte, comemora a consolidação do evento baiano, que, segundo ele, já tem “repercussão nacional” e “começa a estabelecer relações internacionais com outros eventos semelhantes”.
Ibis Hernandez, que assina a curadoria do evento cubano, veio à Bahia para oficializar o acordo. “Levamos em conta sobretudo a proximidade, as coincidências culturais que existem entre Cuba e Brasil e muito particularmente entre Havana e a Bahia”, justificou.
Elo africano Graduada em História da Arte e pós-graduada em arte cubana contemporânea, curadoria e estética, a curadora aponta alguns elos que garantem a afinidade entre os dois países.
“Não falo tanto da produção artísticapropriamente dita,mas das características culturais.Ambos viveram um longo período de presença africana e ainda revelam heranças de uma agricultura açucareira”, destaca a estudiosa,que é especialistaem artes plásticas nas Américas Central e Latina, já tendo participado também da curadoria de diversas edições da Bienal do Mercosul.
Ela adianta que a primeira etapa da parceria será colocada em prática ainda este ano, quando um artista cubano terá uma sala especialmente reservada para suas obras na Bienal do Recôncavo, cuja inauguração está agendada para 27 de novembro, no Centro Cultural Dannemann, em São Félix.
Já o artista selecionado na Bahia partirá para Cuba no ano que vem, com possibilidade de participar também da próxima Bienal de Havana,em 2012. “Isso dependerá do eixo curatorial, que é decidido por uma equipe”, ressalva Ibis Hernandez.
O assunto serve de mote para um elogio ao formato adotado aqui, que não estabelece restrições às temáticas ou técnicas apresentadas pelos artistas. “Funciona bem justamente por seu caráter democrático. E sua singularidade está também na valorização do regional. É importante abrir à participação de artistas de fora,mas sem perder sua identidade”, opina.
Itália A viagem a Cuba se junta ao prêmio de residência na Itália, que contemplará o vencedor da mostra baiana comum curso de três meses e uma exposição na cidade de Milão.
A temporada europeia mais uma vez será acompanhada pelo italiano Antonio D’Avossa, curador, crítico de arte e mestre em história da arte que atua como professor na Academia de Artes de Brera, apontada como um das instituições mais prestigiadas daquele país.
D’Avossa, que também integrou o corpo de jurados, lembra que o nome do ganhador só será revelado na noite de abertura.
Mas dá uma dica sobre as áreas mais contempladas. “De 2008 para cá, houve um aumento no interesse de artistas por fotografia, vídeo, instalação.
Já no campo da pintura houve uma queda, tanto de ideias quanto de qualidade”.
“(A Bienal) Funciona bem por seu caráter democrático. E sua singularidade está na valorização do regional”
“É importante abrir para artistas de fora, sem perder sua identidade” Inez Hernandez Curadora da Bienal de Havana
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