quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Religião Afro-brasileira

Ministro da Cultura prestigia comemoração dos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá

O terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado no bairro de São Gonçalo, realizará, de 30 de julho a 1º de agosto, evento em comemoração ao centenário de um dos mais tradicionais templos da religião afro-brasileira. A celebração incluirá pronunciamento do ministro da Cultura, Juca Ferreira, lançamento do selo personalizado e carimbo comemorativo pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), inauguração do Busto de Mãe Aninha, lançamento de publicações, dança, documentário e palestras.

O evento tem apoio do Ministério da Cultura e é realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com idealização da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá. O governador da Bahia, Jaques Wagner, e o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, também participarão das comemorações.

O Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá é um dos seis terreiros no País tombados pelo Ministério da Cultura. Juca Ferreira já esteve presente em duas outras comemorações do centenário: na Assembleia Legislativa do Estado, dia 11 de junho, e na Câmara Municipal, em 13 de julho.

O Ilê Axé Opô Afonjá tornou-se referência na construção de valores das religiões de matriz africana do estado. “As comunidades litúrgicas matriciais, aquelas que deram origem à profusão e à popularização dos cultos afro-brasileiros, foram resultado de uma aglutinação de lideranças caracterizada pela participação fundacional de altos dignitários e sacerdotes do milenar culto aos orixás, trazidos ao Brasil na condição de escravos, em consequência das guerras interétnicas e das incursões guerreiras dos escravagistas no Continente africano”, analisa o ministro da Cultura.

“O processo sincrético é normal na história de qualquer religião, mas, na Bahia, quando os negros associavam alguns de seus orixás com santos da religião católica, não estavam apenas sincretizando, e sim respeitando (como faziam com outros deuses africanos) e seduzindo as diferenças graças, à analogia de símbolos e funções”, conclui Juca Ferreira.

Durante esses 100 anos, a casa foi guiada por quatro ialorixás: Mãe Aninha, Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina. Liderado pela atual ialorixá, Ode Kayode – Mãe Stella de Oxossi, este evento visa destacar e celebrar as vidas e as obras de suas grandes antecessoras.

Reconhecimento

Mãe Stella é aposentada em enfermagem, profissão que exerceu durante trinta anos. Foi a primeira ialorixá a publicar livros sobre a religião do candomblé, entre eles estão E daí aconteceu o encanto – 1988, que tem co-autoria de sua filha, Cléo Martins, e Meu tempo é agora – 1993. Em 1999, recebeu a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento do Governo Federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram por suas contribuições à Cultura brasileira.

Um dos objetivos da comemoração é incentivar o respeito e a tolerância às práticas religiosas de origem africana, além de afirmar o centenário de existência e resistência de um dos mais importantes Terreiros de Candomblé de nação ketu do Brasil, pioneiro na luta pela preservação de valores e identidades das religiões de matriz africana.

PROGRAMAÇÃO


(*) O Pronunciamento pode acontecer na abertura dos trabalhos – 9h30, ou após a palestra, 10h20, de acordo com a preferência do Ministro.

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