O terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado no bairro de São Gonçalo, realizará, de 30 de julho a 1º de agosto, evento em comemoração ao centenário de um dos mais tradicionais templos da religião afro-brasileira. A celebração incluirá pronunciamento do ministro da Cultura, Juca Ferreira, lançamento do selo personalizado e carimbo comemorativo pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), inauguração do Busto de Mãe Aninha, lançamento de publicações, dança, documentário e palestras.
O evento tem apoio do Ministério da Cultura e é realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com idealização da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá. O governador da Bahia, Jaques Wagner, e o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, também participarão das comemorações.
O Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá é um dos seis terreiros no País tombados pelo Ministério da Cultura. Juca Ferreira já esteve presente em duas outras comemorações do centenário: na Assembleia Legislativa do Estado, dia 11 de junho, e na Câmara Municipal, em 13 de julho.
O Ilê Axé Opô Afonjá tornou-se referência na construção de valores das religiões de matriz africana do estado. “As comunidades litúrgicas matriciais, aquelas que deram origem à profusão e à popularização dos cultos afro-brasileiros, foram resultado de uma aglutinação de lideranças caracterizada pela participação fundacional de altos dignitários e sacerdotes do milenar culto aos orixás, trazidos ao Brasil na condição de escravos, em consequência das guerras interétnicas e das incursões guerreiras dos escravagistas no Continente africano”, analisa o ministro da Cultura.
“O processo sincrético é normal na história de qualquer religião, mas, na Bahia, quando os negros associavam alguns de seus orixás com santos da religião católica, não estavam apenas sincretizando, e sim respeitando (como faziam com outros deuses africanos) e seduzindo as diferenças graças, à analogia de símbolos e funções”, conclui Juca Ferreira.
Durante esses 100 anos, a casa foi guiada por quatro ialorixás: Mãe Aninha, Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina. Liderado pela atual ialorixá, Ode Kayode – Mãe Stella de Oxossi, este evento visa destacar e celebrar as vidas e as obras de suas grandes antecessoras.
Reconhecimento
Mãe Stella é aposentada em enfermagem, profissão que exerceu durante trinta anos. Foi a primeira ialorixá a publicar livros sobre a religião do candomblé, entre eles estão E daí aconteceu o encanto – 1988, que tem co-autoria de sua filha, Cléo Martins, e Meu tempo é agora – 1993. Em 1999, recebeu a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento do Governo Federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram por suas contribuições à Cultura brasileira.
Um dos objetivos da comemoração é incentivar o respeito e a tolerância às práticas religiosas de origem africana, além de afirmar o centenário de existência e resistência de um dos mais importantes Terreiros de Candomblé de nação ketu do Brasil, pioneiro na luta pela preservação de valores e identidades das religiões de matriz africana.
PROGRAMAÇÃO
(*) O Pronunciamento pode acontecer na abertura dos trabalhos – 9h30, ou após a palestra, 10h20, de acordo com a preferência do Ministro.

Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.