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Discurso do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de encerramento da 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco

BRASÍLIA, 30 DE AGOSTO DE 2010

Senhor Representante da Diretora-Geral da Unesco, Francesco Bandarin
Senhora Presidente do Conselho Executivo da Unesco, Eleonora Valentinovna Mitrofanova
Senhora Vice-Governadora do Distrito Federal, Ivelise Longhi
Senhoras e Senhores Chefes de Delegação
Senhoras e Senhores Representantes dos Estados Membros do Comitê do Patrimônio Mundial
Senhoras e Senhores Delegados Observadores
Minhas Senhoras e meus Senhores

Eu, antes de dizer as palavras que preparei, gostaria de agradecer Francesco Bandarin pelo serviços prestados pelo Centro de Patrimônio e pela Convenção.

Chegamos hoje ao final dos nossos trabalhos. Foram nove dias intensos de negociações, debates e congraçamento. Se podemos dizer que houve uma contribuição especial desta 34ª Sessão ao histórico de realizações do Comitê do Patrimônio Mundial, creio que tal contribuição terá sido a grande disposição de todos para o diálogo, um diálogo franco, aberto e construtivo. Todos os temas delicados de nossa agenda foram encaminhados sem atropelos ou atritos. Todas as principais demandas dos Estados-Parte da Convenção foram escutadas e atendidas. Brasília deixa ao Comitê esta herança de concórdia e este espírito de construção conjunta, que são a própria marca da ação externa brasileira.

Vocês escutaram o resumo apresentado pela senhora Relatora e a avaliação feita pelo senhor Representante da Diretora-Geral. O grande número de candidaturas examinadas demonstra a vitalidade da Convenção. Os Estados Partes continuam a identificar no Patrimônio Mundial o paradigma de excelência na conservação da memória da humanidade, na celebração da diversidade dos povos e civilizações e na singularização dos locais mais significativos das paisagens naturais de nosso planeta.

Saímos destes nove dias de trabalho com uma bagagem de muitas realizações. Vinte e um novos sítios foram inscritos na Lista do Patrimônio Mundial; e a Zona de Conservação de Ngorongoro foi reconhecida como sítio cultural e natural. Além disso, sete outros sítios foram ampliados com a inclusão de novos bens. Mais importante: os novos sítios inscritos ampliam a cobertura geográfica da Lista do Patrimônio Mundial, abrangendo três novos países que ainda não haviam sido contemplados (Kiribati, as Ilhas Marshall e o Tajiquistão), beneficiando todas as regiões do mundo e dobrando a superfície natural protegida pela Convenção.

Os países em desenvolvimento saem deste encontro fortalecidos. O Comitê soube reconhecer o valor de um bom número de candidaturas apresentadas pelos países árabes, pelo continente africano e pelas nações da Ásia e da América Latina, demonstrando louvável compreensão de suas especificidades históricas, sociais e naturais. Demonstrou também capacidade de avaliar os pareceres técnicos com sensibilidade política e respeito pela diversidade cultural. Para isso serve o Comitê. Ele é a voz dos Estados-Parte da Convenção de 1972.

Uma lição que tiramos das decisões tomadas pelo Comitê é a constatação da necessidade de reforçarmos o apoio na preparação das candidaturas, de modo a adequá-las ao quadro normativo das orientações operacionais e ao espírito da Convenção. Faço um apelo aos órgãos assessores, ao Centro do Patrimônio Mundial e aos Estados-Partes para que intensifiquem o apoio prestado aos países em desenvolvimento, ajudando-os a elaborar novas e consistentes candidaturas, que reflitam e deem dimensão planetária ao valor universal excepcional que buscamos proteger.

Estou seguro de que os novos Centros de Categoria II criados por seis países em parceria com a Unesco servirão como um instrumento fundamental para esta maior cooperação que tanto se faz necessária. De sua parte, o Brasil dará início às atividades do Centro de Treinamento, no Rio de Janeiro, com o firme compromisso de apoiar o aprimoramento da gestão do patrimônio nos países sul-americanos e africanos de língua portuguesa. Além disso, o acordo que firmamos à margem deste encontro com o Benin exemplifica nossa disposição em estender a cooperação na área do patrimônio também aos demais países africanos e ao resto do mundo em desenvolvimento.

Gostaria de terminar estas breves palavras com meus agradecimentos a todos os que colaboraram para o êxito desta Reunião. À senhora Britta Rudolf, nossa Relatora, sinto-me particularmente reconhecido. Durante todos estes dias ela esteve sentada ao meu lado, atenta a tudo e sempre disposta a apoiar-me na condução dos trabalhos. Ao meu querido Francesco Bandarin, Representante da Diretora-Geral, Diretor-Geral Adjunto de Cultura e Diretor do Centro do Patrimônio Mundial estendo sinceros agradecimentos. A Anne Lemaître e toda a equipe da Unesco dou meus parabéns: sem vocês não nos teria sido possível organizar com tanta diligência este belo evento. A todos os nossos colegas Membros do Comitê agradeço o apoio constante e o espírito construtivo que nos permitiu cumprir a mais longa agenda da história deste órgão. Muito obrigado também aos nossos intérpretes, que tanto nos ajudaram, mesmo com nossa obstinada determinação em trabalhar à noite e durante todo o domingo. Destaco, por fim, a competência e espírito público de toda a equipe brasileira encarregada da organização desta 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial.

Desejo a todos um feliz regresso a suas casas, esperando que possam em breve retornar ao Brasil para conhecer um pouco mais nossa cultura, nossa gente e nossos dezoito bens do Patrimônio Mundial.

Estão encerrados os trabalhos.

Muito obrigado.

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