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sexta-feira, 25 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Aniversário Palmares

Data é celebrada com debates sobre cultura e identidade dos negros brasileiros

Dentro das comermorações do aniversário de 22 anos da Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), foi realizado, na tarde desta quinta-feira (19 de agosto), em Brasília, um painel de debate sobre o conceito antropológico e político da cultura negra e o papel da instituição na contemporaneidade.

O evento foi realizado na sede da Fundação Palmares e contou com a participação de professores universitários especialistas no tema, que falaram para uma plateia de produtores culturais, artistas e militantes do movimento negro.

Os debates foram coordenados pela chefe de gabinete da Palmares, Eliane Borges da Silva. O presidente da instituição, Zulu Araújo, compareceu ao encontro no final da tarde. O painel teve o objetivo de aproximar o público da discussão sobre cultura negra, que vem sendo realizada no meio acadêmico brasileiro.

Foram abordados assuntos como a construção e reconstrução da identidade cultural dos afro-brasileiros, sobre as área quilombolas, militância no movimento negro e releituras da história da Diáspora negra no país.

Uma das questões que polemizou o encontro foi sobre a existência, ou não, de um denominador cultural comum que caracterize a cultura negra no Brasil. O professor de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carlos Eugênio Líbano, acredita que o núcleo das expressões culturais afro-brasileiras é a figura do crioulo, indivíduo nascido no Brasil, de pais negros.

Na visão do professor, foram os crioulos que começaram a construir uma identidade positiva para os negros brasileiros, que, na época do Império, eram vistos apenas como escravos. Ele disse, ainda, que foi este mesmo segmento racial que impulsionou a abolição da escravatura no país, promovendo fugas em massa dos canaviais da região do Rio de Janeiro, inviabilizando a continuidade da exploração do trabalho escravo.

Para o professor de Artes Plásticas da Universidade de Brasília (UNB), Nélson Inocêncio, a cultura negra no Brasil não é homogênea, existem muitas diferenças regionais. Por isso considera um erro a disseminação da ideia de que o samba é a expressão da cultura de todos os afro-brasileiros. Já o professor de Ciências Sociais da UNB, Sales Augusto dos Santos, disse que a discriminação racial é um dos fatores que unifica toda a população negra no país, pois recai sobre todos. Ele foi o mediador dos debates e lançou vários questionamentos para os painelistas responderem.

As comemorações do aniversário da Fundação Cultural Palmares continuam até o dia 22 de agosto, com programação de eventos em vários estados brasileiros. Em Brasília, será realizado nesta sexta-feira (20), no Teatro Nacional Cláudio Santoro, a solenidade de entrega do Troféu Palmares para personalidades de destaque dentro da cultura negra no Brasil.

(Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC)

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