quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Mesa de Debate

Participantes defendem a integração da Diversidade Cultural da América Latina

Os participantes do Encontro da Diversidade, que se encerra nesta segunda-feira, 6 de setembro, na Fundição Progresso, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, conheceram, no período da manhã, as políticas públicas desenvolvidas no Equador, Uruguai e Paraguai para a promoção e proteção da Diversidade Cultural. Os representantes dos três países – Daniela Fuentes Moncada (Equador), Roccio Ortega (Paraguai) e Alejandro Gortazar (Uruguai) – participaram da mesa de debates sobre Integração da Diversidade Cultural na América do Sul.

“Há um tempo, no meu país, havia perseguição ao povo indígena e era proibido pensar e agir diferente”, contou Roccio Ortega, a primeira a falar aos presentes no anfiteatro da Fundição Progresso. Em seu depoimento a diretora-geral do gabinete da Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai contou que as mudanças começaram com a aprovação, em 1992, da Constituição do Paraguai, que instituiu o guarani como língua oficial no país. “85% da nossa população falam espanhol e guarani. Mas 35% só falam o guarani”, informou. Segundo ela, em toda a América Latina, existem 250 mil indígenas Guarani.

Ortega disse, ainda, que o Paraguai realizará em 2011 – ano em que será comemorado os 20 anos do Tratado de Assunção que criou o Mercosul – e com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil, o IIº Encontro dos Povos Guarani. O primeiro encontro foi realizado no Brasil, de 2 a 5 de fevereiro deste ano, na aldeia indígena Tekoha Añetete, localizada no município de Diamante D’Oeste, no Paraná. O evento reuniu mais de 800 indígenas Guarani da Bolívia (Chiriguano), do Brasil (Kaiowa, Ñandéva e Mbya), do Paraguai (Ache-Guayaki, Kaiowa, Mbya e Ava-Guarani) e da Argentina (Mbya).

No Uruguai, a postura do governo em relação à diversidade cultural e à presença dos indígenas e afrodescendentes no país começou a mudar em 2005, de acordo com Alejandro Gortazar. “Chegaram a dizer que não existiam índios no Uruguai”, contou o diretor de projetos e Relações Internacionais do Ministério da Educação e Cultura (MEC) do Uruguai. Segundo Gortazar, o ministério daquele país está desenvolvendo projetos como as Usinas de Cultura, onde os trabalhadores têm acesso a equipamentos para a produção de música e audiovisual.

“Também criamos as Fábricas de Cultura, voltadas para a produção artesanal”, relatou. “Estamos tentando mudar a perspectiva da cultura para dar à população o papel de protagonista da diversidade de sua cultura”, finalizou Gortazar.

Daniela Fuentes Moncada, assessora do Ministério da Cultura do Equador, falou aos presentes sobre a situação das populações tradicionais de seu país. Segundo ela, apesar do Equador ter adotado, com a nova Constituição de 2008, o plurinacionalismo e a multiculturalidade, o índice de pobreza atinge 60% de sua população e há dificuldades orçamentárias para investir na preservação da diversidade cultural.

“O governo do Equador acredita na diversidade cultural não só dos indígenas, mas também da população urbana”, declarou. “Queremos recuperar o bem estar do nosso povo, reconhecendo a igualdade dentro da diversidade, com iniciativas concretas”. De acordo com ela, o Ministério da Cultura do país está criando Centros de Memória que estarão espalhados por todo o território.

Projeto Vidas Paralelas

O Brasil lançou, na abertura dos trabalhos da mesa sobre Integração da Diversidade Cultural na América do Sul, o site do Projeto Vidas Paralelas, criado há dois anos numa parceria entre os Ministérios da Cultura e da Saúde, a Rede Escola Continental (REC) e a Universidade de Brasília (UnB). O PVP, que conta ainda com o apoio das centrais sindicais brasileiras, tem como objetivo, por meio de registros fotográficos e audiovisuais, dar visibilidade à realidade vivida pelos trabalhadores formais e informais do Brasil e criar uma rede social de apoio.

“O projeto já chegou a 15 estados brasileiros e no site podem ser acessadas 648 histórias de vida de trabalhadores”, contou Américo Córdula, secretário da Identidade e da Diversidade cultural do Ministério da Cultura. Segundo ele, a ideia é levar o PVP para os países integrantes do Mercosul Cultural.

(Heli Espíndola, Comunicação Social/MinC)

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