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sexta-feira, 25 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Hélio Oiticica

Exposição apoiada pelo MinC, que será itinerante, estreia no Rio

As obras de um dos artistas plásticos brasileiros mais criativos tomaram conta do centro do Rio de Janeiro, neste sábado, 11 de setembro. Com o apoio e a parceria estratégica do Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobras, foi aberta, às 16h, no Paço Imperial, e às 17h30, na Casa França-Brasil, a mostra Hélio Oiticica – Museu é o Mundo. A exposição itinerante, que reúne cerca de 90 obras, além de filmes, fotografias e documentos, faz parte do Projeto Hélio Oiticica, criado pela família do artista e apoiado pelo MinC, para recuperar e restaurar o acervo do artista, destruído por um incêndio no dia 16 de outubro de 2009.

“Um ano depois, já conseguimos realizar todo o trabalho de higienização das obras e daremos início agora à restauração das telas e peças do artista”, anunciou o ministro-interino, Alfredo Manevy, na solenidade de abertura da mostra. Segundo ele, o MinC investirá cerca de R$ 2,3 milhões na recuperação e difusão do acervo de Oiticica.  “R$ 800 mil serão gastos só no processo de restauração das obras”, informou.

Manevy lembrou que a itinerância da obra tem tudo a ver com a característica do próprio artista. “Ele queria mesmo é ver seu trabalho circular entre o público”, citou, destacando o fato da mostra visitar localidades que ainda não tiveram nenhuma exposição do artista, como Brasília e Belém.

Além do Paço Imperial e da Casa França-Brasil, a exposição abrangerá também obras monumentais de Helio Oiticica, instaladas em espaços públicos como as praças XV e do Lido, o Aterro do Flamengo, a área externa do Museu de Arte Moderna (MAM), o Centro Cultural Cartola (Mangueira) e a Estação Central do Brasil. Com curadoria de Cesar Oiticica Filho e Fernando Cocchiarale, a mostra cobrirá todos os períodos da produção do artista e ficará no Rio de Janeiro até 21 de novembro. Depois, em dezembro deste ano, ela seguirá para Brasília e, em 2011, para Belém.

Sucesso de Público

A mostra Hélio Oiticica – Museu é o Mundo atraiu muita gente para o centro do Rio de Janeiro no dia de sua abertura, sábado, 11 de setembro. As pessoas foram interessadas principalmente pelos Parongolés do artista, em especial as crianças, que se divertiram vestindo as ‘capas’criadas por Oiticica. “Acho interessante a forma como a mostra foi concebida, apresentando todas as fases do trabalho dele, com os seus desenhos, as suas experimentações e a evolução de sua arte no compromisso com as cores e a experimentação”, analisou a cineasta Ana Costa e Silva, ao visitar a exposição.

Para Mauro Oiticica Laviola, primo do artista, a itinerância da exposição “resgata, para o Brasil, o reconhecimento que Oiticica tem no exterior”. “É uma oportunidade para as pessoas reconhecerem seu trabalho”, afirmou o sobrinho de Oiticica, César Oiticica Filho, um dos curadores da mostra. “Ele veio para quebrar o conceito de obra de arte e colocar o seu acervo na rua é retomar o caminho da revolução que ele começou quando deu início ao seu trabalho”, argumentou.

Além do ministro-interino da Cultura, Alfredo manevy, compareceram à abertura da exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo o diretor do Paço Imperial, Lauro Cavalcante, e a secretária de Cultura do Estado do Rio de janeiro, Adriana Scorzelli Rattes. Na Casa França-Brasil, que contou com o mesmo acervo exposto no Itaú Cultural de São Paulo de março a maio de 2010, a abertura do evento contou, ainda, com uma performance do artista filipino David Medalla.

Quem foi Oiticica

Hélio Oiticica foi um dos mais criativos artistas plásticos brasileiros. A síntese de sua obra são seus belos “Parangolés” (1964): capas, estandartes ou bandeiras coloridas, de algodão ou náilon, com poemas em tinta sobre o tecido, a serem vestidas ou carregadas pelo ator/espectador. Carioca anarquista, Oiticica transitou entre os morros do Rio de Janeiro e os Estados Unidos, onde morou de 1948 a 1950, época em que se mudou com a família, e a partir de 1970, quando foi para Nova York. Aluno de Ivan Serpa, iniciou a sua trajetória artística ligado às experiências concretas e neoconcretas.

Oiticica também integrou a representação do Brasil na Exposição Internacional de Arte Concreta, realizada em 1960, em Zurique, na Suíça, e esteve presente nas coletivas de vanguarda Opinião 65  e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira, realizadas entre 1965 e 1967, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O artista também participou das bienais de São Paulo (1957, 1959 e 1965) e da Bahia (1966).

“A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais”, definiu o próprio autor que morreu no dia 22 de março de 1980, no Rio de janeiro, depois de sofrer um acidente vascular cerebral.

(Heli Espíndola, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Pedro França, Comunicação Social/MinC)

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