O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou na última quinta-feira, 4 de novembro, da abertura da mostra retrospectiva do artista plástico Carybé, argentino naturalizado brasileiro, na Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Esta é a primeira exibição de obras do artista em solo portenho, desde sua morte, em 1997. A exposição, inédita, faz parte das comemorações pelos 200 anos de independência da Argentina e foi viabilizada por meio de um convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Casa Jorge Amado, no valor de R$ 286 mil.
“O governo brasileiro, por meio dos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, enxergou o quanto é importante promover essa aproximação com nossos países-irmãos”, destaca Solange Bernabó, filha do artista e curadora da exposição. Ela chama atenção para o caráter panamericano das obras de Carybé. “Ele foi um artista que sempre trabalhou sob a perspectiva da integração, pela arte, dos países sulamericanos”, completa. Para ela, a exposição “é um reencontro do artista, que foi brasileiro porque quis, com sua terra de nascimento”.
O ministro Juca Ferreira acredita no significado simbólico da mostra. “A exposição é um presente do governo brasileiro para os 200 anos de independência da Argentina. Não pude pensar em ninguém melhor do que Carybé para representar a proximidade entre nossos países”, explica o ministro, de quem partiu a sugestão do nome do artista para a homenagem.
A mostra apresenta 73 obras, como quadros a óleo, desenhos, esculturas e ilustrações, produzidas por Carybé na Argentina, na Bolívia, na Itália e no Brasil. Haverá também exibição de vídeos inéditos, com o artista em momentos de trabalho, revelando um pouco de sua intimidade. A exposição será embalada por músicas de artistas como Dorival Caymmi, o compositor argentino Eduardo Falú (que escreveu peças sobre textos de Jorge Luis Borges) e o – também argentino – cantor de tango Edmundo Rivero, além de músicas cubanas e samba de roda.
Carybé
Nascido na pequena cidade Lanús, no subúrbio de Buenos Aires, Hector Julio Páride Bernabó ficou internacionalmente conhecido como Carybé, um dos principais artistas plásticos do século 20. Depois de morar em Gênova, Roma, Rio de Janeiro e em cidades de outros países, mudou-se em 1950 definitivamente para Salvador, onde ficou até sua morte, durante uma cerimônia no terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, em 1° de outubro de 1997.
A relação dele com o Brasil, mais especialmente com a Bahia, começou quando, ao ler o livro Jubiabá, de Jorge Amado, resolveu conhecer a cidade de Salvador, cenário das aventuras do protagonista Antonio Balduíno, herói do romance. Ao chegar, percorrendo os caminhos que tanto o fascinaram durante a leitura, identificou-se com os modos e costumes da cidade e a elegeu como morada definitiva. Iniciou com Jorge Amado uma amizade e parceria que durou a vida inteira.
Ilustrador de vários romances de Amado, Carybé foi um dos instituidores da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho. O artista é um dos mais importantes das artes plásticas do Brasil no século 20, tem reconhecimento nacional e internacional por meio de ampla obra pictórica, especialmente desenhos e aquarelas; além dos murais, esculturas, modelagens, técnicas mistas, e demais linguagens visuais. A temática étnica é predominante em sua obra.
Confira aqui texto escrito pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, em homenagem ao artista Carybé.
(Comunicação Social/MinC)
(Fotos do evento: Gustavo Jononovich)








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