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sexta-feira, 25 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Encontro na Câmara dos Deputados

Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura é debatido entre MinC e diversos setores

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, com apoio do Ministério da Cultura, promoveu na terça-feira, 9 de novembro, um encontro para debater o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (PL 6722/10). Artistas, produtores, agentes e gestores culturais de todo o país compareceram ao auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília, para tratar os principais pontos da proposta.

“Este encontro encerra um ciclo de debates”, afirmou o presidente da CEC, deputado Ângelo Vanhoni ao iniciar a sessão. No primeiro semestre deste ano a Comissão realizou seis audiências públicas em diversas capitais brasileiras com intuito de reunir sugestões e críticas ao projeto.

Alice Portugal, relatora do PL na CEC, destacou a importância da economia da cultura para o país e acredita que o encontro é mais uma oportunidade da sociedade sanar dúvidas e propor modificações ao projeto de lei que recebeu, antes das reuniões públicas, duas mil sugestões no período em que foi submetido à consulta pública, em 2009.

Apresentação do Procultura

“Não é só uma mudança, mas o reconhecimento da grandeza cultural brasileira”. Sob esta afirmativa, o secretário executivo do MinC,  Alfredo Manevy, apresentou o Procultura durante o encontro.

Ele destacou que a mudança na legislação é essencial para ampliar o acesso aos recursos da cultura, financiar todas as suas dimensões, diminuir distorções entre as regiões brasileiras, fortalecer o Fundo Nacional de Cultura e estimular a economia da cultura.

Manevy explicou, ainda, que se aprovado o Procultura, serão instituídos critérios públicos de qualidade para a análise de projetos na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), o que “evitará subjetividades”, esclareceu.

O secretário executivo destacou também a necessidade de equilibrar a parceria público-privado, pois atualmente, 90% dos recursos provem do Estado e apenas 10% da iniciativa privada.

Debate

Dentre os convidados ao debate, estava o secretário municipal de cultura de São Paulo, Carlos Augusto Machado Calil, que se declarou um crítico das leis de incentivo do país e apoiador da modernização da Lei Rouanet.

Calil acredita que o fortalecimento da parceria público-privada é a melhor saída para o fomento à cultura e que a renúncia fiscal só visa o marketing das grandes empresas. Ele disse não acreditar em dirigismo do Estado e defende que o orçamento da cultura não seja contingenciado.

Já o ator e presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes, Odilon Wagner, afirmou ser “dever do Estado financiar a cultura”. Porém, diz que a APTI está feliz com o conjunto de leis aprovadas recentemente para o setor, como a blindagem do FNC e o Plano Nacional de Cultura. Para ele, este texto (pré-relatório do Procultura construído pela deputada Alice Portugal) “é um avanço histórico na política cultural do Brasil, principalmente para os produtores independentes”.

No entanto, Odilon criticou a Instrução Normativa do MinC, em vigor desde 6 de outubro de 2010, que objetiva desburocratizar a apresentação de projetos culturais. Segundo o ator, a IN vai contra os ideais propostos pela nova lei da cultura ao oficializar órgãos públicos como usuários da lei de incentivo e pode prejudicar os produtores independentes. Ele propôs debates públicos para melhorar a iniciativa.

Patrocionadores

José Paulo Soares Martins, diretor do Instituto Gerdau, também participou do debate e lembrou que a primeira reação da instituição ao tomar conhecimento das mudanças na lei foi pessimista. Entretanto, disse que a iniciativa do MinC em democratizar o processo de modernização foi essencial para o sucesso da proposta: “Parabenizo o MinC pelo fôlego de promover debates e entender as colocações. O Procultura é resultado de contribuições da sociedade, esforço do MinC e sensibilidade do Legislativo”, afirmou.

Já Eduardo Saron, diretor superintendente do Instituto Itaú Cultural, declarou que o debate é um ganho enorme para a cultura: “A mobilização dos últimos anos traz avanços imensos ao país como a criação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC)”.

Saron acredita que a concentração de recursos na Região Sudeste se deve ao fato das grandes empresas com lucro real de 4%, percentual necessário para renúncia fiscal, estarem instaladas em  estados como Rio de Janeiro e São Paulo, e que é necessário incentivar  o patrocínio cultural fora desse eixo.

Manifestações

A maioria dos presentes na última audiência pública sobre o projeto de lei que institui o Programa de Fomento e Incentivo à Cultura participou das reuniões realizadas nas seis capitais brasileiras.

Representantes dos diversos setores da cultura – Dança, Teatro, Audiovisual, entre outros – manifestaram apoio à modernização da legislação. No geral, esperam que o Procultura atenda a necessidade de todos os segmentos.

Chico Simões, brincante do Teatro de Bonecos, afirmou ser necessário alargar o diálogo para que haja mais acesso à cultura e defendeu a desburocratização da lei. “A lei é que precisa se adequar às culturas populares”, disse.

O relatório da deputada Alice Portugal deve ser votado nos próximos dias na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. A proposta, que já foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, tramita em regime de prioridade e ainda precisa ser analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição, Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Senado.

(Texto: Sheila Rezende, Comunicação Social/ MinC)
(Fotos: Pedro França, Comunicação Social/ MinC)

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6 comentários

  • Nádia Rios Vellasco

    11 de novembro de 2010

    Li, entendi e apoio o movimento de apoio à manutenção de Juca Ferreira. Porque não dar continuidade ao que está dando certo?
    Ainda não tive qualquer projeto aprovado, ou outro incentivo cultural, mas acredito que esse seja o melhor para o ambiente cultural no Brasil.

    Como confirma o dramaturgo e diretor José Celso Martinez Corrêa: “Juca Ferreira continua o trabalho de Gustavo Capanema, Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Gilberto Gil. Não pode ser alijado do lugar onde está por interesses corporativos, sejam os da velha política mercantilista dos balcões ou da instrumentalização da arte e da cultura com que a esquerda cuecona do teatro do oprimido nos chatíssimos debates ‘a nível de’ quer impor ao País”.

    Também, Eneida Soller, presidente do Conselho Brasileiro de Entidades Culturais (CBEC), que reúne 45 instituições, disse: “Não é possível aceitar recuos. É necessário dar andamento aos projetos de lei da cultura em tramitação. O País precisa ter à frente do ministério alguém que conheça a realidade atual e os desafios do turbilhão de novas tecnologias e grandes corporações que atingem o mundo das comunicações e da cultura.”

    VAMOS LÁ!!!!
    O movimento também conquista centenas de adeptos na internet, reunidos sob a tag #ficajuca. “Para garantir que o MinC siga sintonizado com os movimentos emergentes da Cultura Digital Brasileira”, postou Monica Martha.

  • Conselho Nacional de Política Cultural » Encontro na Câmara dos Deputados

    11 de novembro de 2010

    [...] Leia mais. [...]

  • Tweets that mention Ministério da Cultura - MinC » Encontro na Câmara dos Deputados -- Topsy.com

    10 de novembro de 2010

    [...] This post was mentioned on Twitter by MinCultura, Goma Cultural, Eliezer Sampaio S Jr, Gleison Willy, PCult_SP and others. PCult_SP said: RT @partidocultura: RT @CulturaGovBr Encontro na Câmara dos Deputados discute #ProCultura entre MinC e diversos setores http://bit.ly/dnkBM2 [...]

  • Reforma da Lei Rouanet » Encontro na Câmara dos Deputados

    10 de novembro de 2010

    [...] Leia mais. [...]

  • Lia Moura

    10 de novembro de 2010

    Gostaria de assistir em Vídeo sobre essa notícia, isso é possível?
    Obrigada
    Lia

    RESPOSTA por contate4cultura@gmail.com : o Ministério da Cultura só produziu notícia em texto sobre esse assunto. Possivelmente, você poderá encontrar matéria em vídeo sobre esse assunto no site ou no arquivo da Câmara dos Deputados.