No último dia do II Fórum da Cultura Digital Brasileira, o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, o secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herência, e o presidente da Cinemateca de São Paulo, Carlos Magalhães, participaram de mesa dedicada ao futuro das políticas voltadas para cultura digital nos próximos anos. Representando o ministro Juca Ferreira, Alfredo Manevy parabenizou os participantes do evento pelo nível dos debates e proposições: “O saldo conceitual e político do evento é riquíssimo”, afirmou.
O secretário executivo revisitou, ainda, o caminho percorrido pelo Ministério da Cultura nos últimos oito anos e apresentou perspectivas para as políticas culturais no próximo governo. “Avançamos muito e constituímos uma agenda repleta de reformas indispensáveis para se pensar e construir o Brasil do século 21. A cultura digital, para muito além da tecnologia, é a chave para muitas políticas que vão consolidar o Brasil que queremos”, avaliou.
José Luiz Herência lembrou que a cultura digital está presente no conjunto de projetos de lei, emendas constitucionais e marcos legais em discussão no Congresso, e citou a recente aprovação do Plano Nacional da Cultura (PNC) no Senado. “Temos 180 dias para regulamentar o PNC, e a cultura digital tem dimensão estratégica nesse plano”, observou.
O presidente da Cinemateca, Cláudio Magalhães, lembrou o trabalho de digitalização de acervos realizado pela instituição. “São 70 anos de história da Cinemateca agora potencializados pela cultura digital”.
O debate também foi marcado pela fala de diversos atores da cultura digital que, durante todo o Fórum, conduziram mesas, seminários, oficinas e discussões. Cláudio Prado, do Laboratório de Cultura Digital, pontuou temas que espera serem iniciados ou aprofundados na próxima gestão. “Mais do que pensar na política de banda larga, precisamos pensar no último metro do fio, que é o acesso. Voltar a atenção para a alfabetização multimídia, para garantir à população absorção plena da internet”. Prado também citou a necessidade de investimento em softwares livres, fortalecimento do marco civil da internet e regulamentação do modelo de rádio digital.
Laymert Garcia dos Santos também defendeu a importância da escolha do padrão digital de rádio. “O modelo europeu, de código livre, ainda não foi adotado por nenhum país em escala nacional. Construído ao longo dos últimos dez anos por engenheiros de todo o mundo, por ser aberto, pode ser adaptado a diferentes realidades, em diferentes localidades. O Brasil pode ser pioneiro e pautar a discussão de códigos livres em países da América Latina e África”, afirmou.
A fala de Daniel Roviriego, representando os pontos de cultura, foi um chamamento a atores de demais pontos do Brasil: “Precisamos construir uma plataforma própria para nossas ações de cultura, independente das ações do governo, de forma a fortalecer nossas ações. Nossa presença no Fórum demarca essa posição, mas é preciso expandir”.
Pablo Capilé, do Circuito Fora do Eixo, saudou os oito anos de diálogo com o governo e apontou o que espera dos próximos anos. “Foi um diálogo produtivo. Avançamos muito na ouvidoria, no diagnóstico. Agora é hora de partir do campo das ideias para as reformas reais”.
Olhando para os últimos oito anos, Renato Rovai, editor da revista Fórum e blogueiro, afirmou: “Seria impossível imaginar o que está acontecendo agora no cenário de 2003. Chegamos a outro patamar. Agora é hora de expandir o debate de cultura digital para a educação, saúde, ciência e tecnologia. É hora de democratizar as comunicações, garantir a produção e distribuição múltipla das informações com a banda larga. Essa tem de ser nossa bandeira”.
O II Fórum da Cultura Digital Brasileira termina nesta quarta-feira. A programação da última tarde do evento tem mesas dedicadas aos temas “Banda larga e Cultura Digital”, “Televisão e novas tecnologias”, além de laboratórios experimentais e apresentação de projetos.
Leia mais matérias, aqui.
(Anderson Falcão, Comunicação Social/MinC)
Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.