A força das cores vivas, ritmos envolventes e diversidade do artesanato do povo Kalunga serão prestigiados, este fim de semana, no 2º Encontro de Cultura Negra Kalunga. O evento, que acontece hoje e amanhã no histórico município de Cavalcante, localizado a 320 km de Brasília, celebrará o Dia da Consciência Negra. Várias comunidades dos vãos do Sítio Kalunga se deslocam até a cidade para conferir a extensa programação, que conta com apresentações culturais, debates, oficinas de fazeres e saberes, exposições fotográficas, além da troca de experiências de tradições seculares, como folias, rezas, ladainhas, curraleiras e danças.
“O evento é de grande importância para os kalungas. No ano passado, com a realização do primeiro encontro, a comunidade viveu um momento único, já que muitos nunca tiveram acesso a tantas atrações direcionadas à cultura afrodescendente”, afirma a quilombola Lucilene dos Santos Rosa, 27 anos, importante e ativa articuladora da cultura local.
Lucilene ainda guarda na memória as alegrias do primeiro encontro. E não só ela. “Ao longo de todo este ano, fui procurada por várias pessoas da zona rural. Elas estavam interessadas em saber se o encontro iria acontecer novamente. Uma prova de quanto o evento é importante para eles”, conta. “O encontro os coloca como grandes protagonistas de sua cultura”, avalia.
A expectativa é que cerca de 2 mil pessoas, entre integrantes de 20 comunidades kalungas da região, além de turistas, passem pelo local. Para Fernando Lana, assessor especial da Secretaria Executiva do MinC, o evento é uma boa oportunidade da comunidade Kalunga se firmar como importante referência da cultura Quilombola. “O evento é importante pelo fortalecimento da cultura local e elevação a auto-estima do povo kalunga”, observa. “A expectativa é que os integrantes das comunidades participam da festa”, emenda.
Meninas de Guiné-Bissau
Além de oficinas, o público poderá participar das rodas de prosa que debaterão temas pertinentes e de total interesse à comunidade, como o racismo e a inclusão social. Shows que evidenciam a riqueza sonora local, como a percussão, o côco, a viola caipira e a catira, são destaques.
“Esse ano, contamos até com a participação de três mulheres de Guiné-Bissau. Elas estão fazendo intercâmbio no Brasil, como estudantes da UnB, e participam de oficinas sobre trança de cabelos. Não existe algo mais genuíno”, entusiasma-se Lucilene dos Santos.
Durante o evento, serão anunciadas várias ações desenvolvidas pelo Ministério da Cultura na comunidade. Uma delas é a finalização do Memorial Casa de Léo, estratégico Ponto de Cultura que ajudará a conscientizar as novas gerações sobre a necessidade de manter vivas as tradições do povo local. “A estrutura já está pronta, agora só falta a parte tecnológica”, detalha Fernando Lana.
Outros anúncios importantes envolvem projetos na área cultural, como o apoio do MinC à publicação de um livro e à realização de um documentário. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o livro Raízes do Quilombo, pretende ser um importante documento sobre a cultura das plantas medicinais. Já o documentário A Rota do Sal, da dupla André Braga e Cardes Amâncio, resgata a história dos antigos ribeirinhos que viajam longas distâncias no Norte do país em busca de especiaria rara no Brasil: o sal. “O projeto, apoiado pelo MinC, está em fase de gravação”, antecipa Lana.
As festas e romarias das comunidades quilombolas da região ganham infraestrutura de peso com a entrega aos artistas da região de seis robustos kits com vários instrumentos, como sanfonas, violões, violas, zabumbas, pandeiros, caixas, microfones, além de bombas a diesel e geradores. “Um primeiro kit já tinha sido entregue à comunidade em setembro, agora a festa vai ser bonita em qualquer lugar que a gente for apresentar”, festeja Lucilene.
(Lúcio Flávio, Secretaria Executiva/MinC)
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