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Biblioteca democratiza Cultura

Correio do Povo, caderno Cidades, em 02/12/2010

Prédio de 1890 sedia ainda oficinas de música, videotecae museu

A cidade de Colinas, no Vale do Taquari, foi escolhida para ser parte de uma filmagem do Ministério da Cultura (MinC) sobre bibliotecas. A equipe esteve no município, na semana passada, para registrar a transformação local após a implantação da instituição. Além da unidade cultural, Colinas tem uma estudante – frequentadora do lugar – que também é referência: Julia Amaral Jacobini, de 12 anos, lê entre cinco e sete livros por semana, quando a média nacional é de 4,7 obras por ano, incluindo os didáticos.

Implantada em fevereiro de 2009, pelo Programa Mais Cultura, do MinC, a Biblioteca Pública Municipal de Colinas hoje é mais que um local para a procura de livros, é um centro cultural da cidade, que não tem cinema, livrarias ou shopping. “Tínhamos uma deficiência. Por ser um município pequeno, a biblioteca passou a ser um ponto de referência, frequentada não só pelo leitor, mas também por pessoas que desenvolvem outras atividades no local”, afirma o prefeito Gilberto Antônio Keller.

Colinas recebeu do ministério os equipamentos, mobiliário e um acervo com 2 mil obras e, em contrapartida, forneceu o imóvel e uma funcionária. A instituição localiza-se em um prédio histórico, datado de 1890. No espaço, a população – de cerca de 2,5 mil habitantes – tem acesso a oficinas de música, contação de histórias, videoteca, pequeno museu do imigrante, além de poder retirar livros emprestados ou lê-los na sala específica. As oficinas são um chamariz de público para o local. “Música e literatura são inseparáveis”, diz o professor Leandro Freisleben.

Estudantes do Centro de Atividades – projeto de contraturno a crianças entre 7 e 10 anos – frequentam a biblioteca para ouvir contação de história, uma vez por semana. Também com essa frequência, alunos do ensino fundamental vão ao local assistir a vídeos, e os da educação infantil retiram livros para os pais. A biblioteca de Colinas mudou a vida de muitas pessoas. A responsável pelo estabelecimento cultural, Luciani Machado de Souza, foi uma delas. Estudante de Letras, trabalhava em uma fábrica de calçados até a instalação da unidade. Agora, não só concilia sua futura profissão com os estudos, como ajuda outras pessoas a se encantarem pelos livros.

O vídeo institucional do Ministério da Cultura, a ser lançado neste mês, mostra não apenas bibliotecas de referência, como a de Manguinhos (RJ), mas também exemplos de municípios pequenos que foram transformados com a instalação das unidades. É o caso de Colinas e de Macaúbas (BA). “O livro tem de estar onde o leitor está. Nós, do MinC, queremos que a biblioteca seja um centro cultural dinâmico e, em cidades pequenas, muitas vezes é o único lugar de acesso à cultura”, diz o diretor de Livro, Leitura e Literatura do ministério, Fabiano dos Santos Piúba.

Leitora de 12 anos é referência

Para a leitora assídua Júlia Amaral Jacobini, a biblioteca de Colinas é mais um espaço para o acesso à cultura. “As pessoas vão lá para buscar cultura nos livros, na música.” Lá, ela encontra as obras que não acha na biblioteca escolar e, na falta de títulos nos dois lugares, sua mãe vai a Porto Alegre uma vez por mês a fim de comprar mais. Para não pesar no orçamento, ela dá um livro usado como parte do valor do novo. Júlia gosta tanto de ler que, junto com uma amiga, resolveu escrever uma continuação das obras de Arthur Conan Doyle, autor da série sobre o detetive Sherlock Holmes, criando uma história de amor. “Eu literalmente viajo, já fui a Londres, aos Estados Unidos, só com as descrições dos livros.”

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