Gustavo Klein
Da Redação
O cinema brasileiro terá mais espaço na Zona Noroeste. Foi inaugurada, ontem, a Sala Cine Mais Cultura Sérgio Mamberti. A unidade tem capacidade para 25 lugares e terá sessões de cinema-sempre nacional – duas vezes por semana. São centenas de filmes do catálogo da Programadora Brasil.
O evento contou com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, do ator Sérgio Mamberti e do secretário de Cultura de Santos, Carlos Pinto,entre diversas outras autoridades da área cultural.
A sala faz homenagem a Sérgio Mamberti, ator santista que atuou em filmes importantes do cinema brasileiro como O Bandido da Luz Vermelha (1969),Toda Nudez Será Castigada (1973) e A Menina do Lado(1987).
Na televisão, desempenhou papéis marcantes em diversas novelas e minisséries como Dona Beija, Transas e Caretas,e As Noivas de Copacabana. Mamberti é o atual presidente da Fundação Nacional das Artes(Funarte).
Sérgio Mamberti,que é presidente da Funarte, se diz, claro, muito orgulhoso com a homenagem. “É muito importante, não apenas por meu nome batizar a sala. A questão é ter um espaço para o cinema – e cinema brasileiro – em uma área tão carente em acesso à cultura. É esse o maior motivo de comemoração”.
José Virgílio Leal,coordenador cultural do Arte no Dique, também ressalta a importância do novo espaço em uma área carente. “O cinema é mágico.Este novo espaço vai contribuir também, assim como as outras ações do Arte no Dique, para a formação crítica da comunidade”.
São produções tanto históricas quanto contemporâneas, curtas,médias e longas-metragens, de todos os gêneros (animação, documentários, experimentais e ficção), que mostram histórias do imaginário brasileiro e dos seus autores, e também as que reproduzem a realidade brasileira.
O acervo possui centenas de filmes e todos estarão à disposição do equipamento entregue ontem em Santos.
Estão lá desde produções muito antigas, como Assim Era a Atlântida, que Carlos Manga dirigiu em 1974,até trabalhos bem recentes, como Vida de Menina, de 2005, da carioca Helena Solberg. E mais: todos os filmes de Mazzaropi.
Os filmes são cedidos a pontos de exibição audiovisual como escolas, universidades, cineclubes, centros culturais, e também a pontos de cultura, caso do Arte no Dique.
O foco são os circuitos não comerciais, para promover o encontro do público como cinema brasileiro. É uma ação para formar platéias, fomentar o pensamento crítico em torno da produção nacional e também para contribuir com a for-mação intelectual, social e cultural do público.
”A cultura tem um poder transformador”
Juca Ferreira
Ministro da Cultura
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, esteve ontem em Santos para participar da inauguração da sala e do anúncio do edital da nova sede do Arte no Dique. E concedeu a seguinte entrevista a A Tribuna:
Santos é a única cidade que não é capital a receber um Espaço Mais Cultura, a 15ª do Brasil. Por quê?
O Projeto Arte no Dique é exemplar em uma série de iniciativas de disponibilizar cultura para a comunidade. Uma intervenção deste tipo ajuda demais a qualificar o ambiente social. Mas não pode ser de fora para dentro, é preciso que já exista uma iniciativa cultural e social.
O Ministério da Cultura, durante muito tempo, fomentou a produção cultural mas apenas nos últimos anos se voltou a esse uso social da cultura. Houve uma inversão de valores?
A cultura tem mesmo um poder transformador. Mas eu não diria inversão porque mantemos também esse lado de apoio à produção. Mas percebemos que isso não é suficiente. Os índices de exclusão cultural são grandes, o único bem cultural universalizado é a tevê aberta. Então desenvolvemos essa ação de protagonizar a comunidade, de apoiá-la em suas iniciativas. Mas mesmo isso não é suficiente. A sociedade tem direito de ter acesso também a esses fluxos culturais disponibilizados pela sociedade.
Instituto Arte no Dique terá sua sede definitiva até o fim do ano que vem
A programação do ministro Juca Ferreira, em Santos, incluiu, ainda, o lançamento do edital de licitação das obras do Espaço Mais Cultura Escola Popular de Arte e Cultura Plínio Marcos, que passará a ser a sede definitiva da ONG Instituto Arte no Dique. A iniciativa faz parte das obras do PAC e Santos é a 15ª cidade a receber um Espaço Mais Cultura. A primeira não-capital. “Me arrisco a dizer que o Dique da Vila Gilda será um antes e outro depois do Arte no Dique.Considero este momento uma etapa vencida em minha vida”,come-mora José Virgílio Leal,coordenador da organização.
O anúncio aconteceu em cerimônia no Theatro Guarany. A obra, que terá perto de 1, 2 mil metros quadrados, está orçada em R$2milhões.
Com previsão de início das obras em seis meses e entrega para o final de 2011, a sede será construída em terreno localizado na Avenida Brigadeiro faria Lima, no Caminho de São Sebastião, na favela do Dique Da Vila Gilda,em Santos.
Além de promover atividades culturais, o futuro equipamento terá capacidade de atender a cerca de 600 pessoas da comunidade por meio de ações educativas e de formação profissional.
O Espaço Mais Cultura no Dique da Vila Gilda vai abrigar oficinas profissionalizantes para áreas artísticas como: figurinista, técnico de som, costureiro, iluminador, dentre outras. Também serão oferecidos cursos de atuação,dança e música.
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