Dentre os premiados pelo Edital Hip Hop 2010 – Edição Preto Ghóez está o cearense Francisco Igor Almeida dos Santos, conhecido também como RAPadura Xique-Chico. RAPadura é um dos 135 premiados pelo edital da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SiD/MinC), em parceria com a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC), o Instituto Empreender e a ONG Ação Educativa.
Xique-Chico faz a fusão entre o rap e o repente, o coco, maracatu, capoeira, forró, baião e cantigas de roda, uma mistura entre o moderno e a música de raiz produzindo um resultado inusitado, em que a temática é essencialmente nordestina, com a seca, a realidade do agricultor, da mulher rendeira e dos processos de urbanização.
“Vejo o meu trabalho como uma verdadeira preservação das nossas raízes culturais do Brasil”, diz.
Igor é natural de Lagoa Seca, periferia de Fortaleza, no Ceará, mas mudou-se para Brasília em 1997, ainda adolescente. A nordestinidade, mesmo distante, se manifestou já nas primeiras composições. “Escrevi uma música em cima de uma canção de Luíz Gonzaga. Peguei um pequeno trecho de sanfona, meti umas batidas em cima e escrevi uma canção falando sobre a cultura nordestina”, lembra.
Gonzaga, uma de suas principais fontes de inspiração, assim como Marinês, Heleno Ramalho, Banda de Pau e Corda, Lia de Itamaracá e Patativa do Assaré, compõe o universo de seu primeiro trabalho, a FITAEmbolada do Engenho.
Do primeiro trabalho até os dias de hoje, RAPadura mantém não só sua atuação artística mas seu ativismo na área, com “ações comunitárias a partir do Distrito Federal para todo o Brasil”. Apenas em 2010, participou do Show Teia da Arte, em Fortaleza, do Brasília 50 Anos e ministrou palestras sobre a mistura entre hip hop e ritmos nordestinos pelas ongs Quilombaque e Eremim.
RAPadura diz que seu trabalho tem “característica forte de intercâmbios. Intercambiar, conhecendo um pouco da cultura do outro, fazendo o outro entender um pouco da sua própria cultura”, não é por acaso que recebeu o Prêmio Preto Ghóez na categoria “Conexões”, exatamente a que escolhe artistas e projetos que promovam o intercâmbio, as fusões e experiências musicais entre ritmos.
Dificuldades
Em seu 1/4 D’Engenho – como chama seu quarto, onde “falta acústica e isolamento para produzir músicas” – Xique-Chico “consegue se superar”. Faltam estrutura, equipamentos e recursos. É com um “micro-computador, um rádio estéreo e duas caixas de som antigas e internet compartilhada” que o artista se tornou uma referência na sua área artística e na sua localidade, a região administrativa de Brasília, Samambaia. Ele diz que “gostaria de não ter que sair do seu estúdio 1/4 D’Engenho para ter que gravar e masterizar as suas músicas em estúdios de outra cidade, mas que quando isso acontece, os recursos para o transporte são o ônibus ou as linhas do metrô”.
Xique-Chico não tem renda fixa e “deposita na música seu amor infinito”. O Prêmio Preto Ghóez é um reconhecimento desse amor.
Leonardo Fontes (SID/MinC)




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