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sexta-feira, 25 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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SID 7 anos

Trabalhadores documentam sua história no Projeto Vidas Paralelas

O Projeto Vidas Paralelas (PVP) é resultado imediato da Rede Escola Continental de Saúde do Trabalhador (REC-ST), criada em 2005 como uma necessidade estabelecida pela III Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador em sua resolução 300.

A REC-ST foi pensada para procurar a valorização da cultura, das experiências e dos saberes construídos dos trabalhadores, sendo o PVP o seu mecanismo de visibilidade. Criado em 2007, o projeto conta atualmente com a participação de 760 trabalhadores cadastrados e treinados para usarem o site http://www.cultura.gov.br/vidasparalelas/ como veículo de publicação, um meio para que o trabalhador documente sua própria história.

Segundo Graça Hoefel, coordenadora do projeto, “é interessante observar a documentação do próprio trabalhador. Historicamente, quem sempre fez essa documentação foram os fotógrafos, os jornalistas, a universidade, nunca o próprio trabalhador. Esse fato dele poder documentar nos acrescenta uma visibilidade muito importante.”

A equipe coordenada por Graça procura alcançar três objetivos:

- Conhecer o mundo do trabalho a partir do ponto de vista do trabalhador;

- Incitar à visão crítica e à criatividade por meio da produção de fotografias, textos e vídeos, como forma de auto-representação;

- Construir um processo de reflexão e diálogo entre os trabalhadores, possibilitando a difusão do cotidiano laboral e cultural dos mesmos.

Para Marcio Blanco, um dos membros da equipe, os objetivos tem sido alcançados. Ele observa que alguns dos posts publicados pelos produtores já surtiram efeito no que se refera às políticas públicas. Houve uma denúncia que obrigou um supermercado a fazer mudanças na maneira de estocar seus alimentos.

Os trabalhadores que se tornam produtores de conteúdo do site são indicados por sindicatos, centrais sindicais e associações. Graça explica que “a escolha é feita no próprio estado. Nós temos uma rede, que é a rede de apoio do projeto que busca os trabalhadores e, a partir de uma assembléia, faz essa escolha. Na verdade, existem diversos caminhos, às vezes, é um dirigente sindical que indica ou uma associação, dentro de sua própria rede, mas o projeto prevê que haja um contato com o sindicato e esse sindicato, em assembléia, indica um trabalhador que assume a responsabilidade de ser multiplicador no seu sindicato”.

Ainda segundo ela, os resultados do projeto podem ser avaliados através das denúncias:”O site está se transformando em uma referência, até para o Ministério da Saúde, de denúncias sobre a saúde do trabalhador”. Essa tendência de se tornar uma referência é confirmada por João Lucas, do Sindicato dos Empregados em Supermercados do Rio Grande do Norte. “O Ministério Público no RN tem feito do PVP instrumento de pesquisa, diariamente eles acompanham as postagens no site do PVP. Muitas vezes quando faço uma postagem eles ligam dizendo se queremos fazer uma denúncia. Tem resolvido muitas situações”.

Pelo aspecto da cultura, Kátia Santorum, professora da Universidade Federal da Bahia, comenta um outro resultado do PVP, este na transmissão de saberes. “O PVP proporciona o encontro de diferentes saberes que vem de diferentes lugares e experiências os quais tem grande potência para a transformação da vida e do mundo, principalmente com a produção de imagens e promoção da saúde.”

O PVP tem atualmente produtores de conteúdo espalhados por 21 estados brasileiros e pretende ampliar em breve seu alcance entre os trabalhadores da América Latina.

Parceria entre instituições

O Projeto Vidas Paralelas (PVP) é coordenado por um esforço conjunto da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), do Departamento de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e da REC-ST.

Leonardo Fontes (SID/MinC)

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