Alguém me disse que DVDs piratas de filmes indicados ao Oscar estão por R$20 em pontos de venda nas áreas nobres da Zona Sul do Rio. Há pouco tempo o preço era R$5. Neguinho compra hoje um DVD ilegal por um preço que faz pouco era o que se pagava na Modern Sound. Bem, R$15, me dizem, se for um filme comum. Mais caro se for “filme do Oscar”. Devemos pensar primeiro na inflação ou nos copyrights? Os filmes têm diretores, produtores, roteiristas, músicos, fotógrafos – e pelo menos esses vivem dos proventos gerados pelos direitos de cópia. Isso para falar em termos gerais, americanizados, em vez de fazer referência ao direito do autor, mais específico. Que se vendam cópias piratas assim com tanta facilidade em bairros de gente fina é sinal de que o respeito à propriedade intelectual está mesmo em baixa. Que o preço dessas mercadorias ilegais tenha subido tanto e tão rapidamente mostra ao mesmo tempo que o sucesso da pirataria é inegável e que a inflação está aí assombrando mais do que Natalie Portman. Como educar seu filho para que ele não baixe obras artísticas de graça na internet? Eis uma velha (já bem velha) pergunta que exige ser repetida. É o outro lado da moeda da discussão que finge resumir-se a Creative Commons versus Ecad, Gil versus Ana ou mesmo (incrível!) direita versus esquerda.
O esquerdismo de Emir Sader (que é do tipo torcida organizada) apareceu num comment que vi na internet (ao ler uma entrevista de Grassi num site) como oposto a uma suposta regressão conservadora da ministra Ana, que não age como se a internet fosse grátis e devesse ser sempre livre. Na mesma página, um outro cara (ou teria sido o titular de um outro site a que cheguei a partir de um link encontrado naquele?) caracteriza o ex-ministro Gil e “seu parceiro” (serei eu ou será o Juca?) de “direitaças”. Sader dançou da Casa Rui (coisa pela qual eu torcia) e saiu demonstrando estar mais para o Lessig do que para o Aldir. Bagunça no PT. Eu, fora de partidos e torcidas organizadas (as desorganizadas são mais abertas à racionalidade, mesmo quando parecem caprichos de indivíduos), continuo crendo que a ministra Ana pode estar demonstrando cuidado com o tema, não necessariamente birra com o grupo Gil. Sou demasiado otimista? Ou quem sabe simplesmente gosto de quando há bagunça no PT?
(A íntegra do artigo está na edição do O Globo do dia 06/03/2011)
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