Os curta-metragistas do Distrito Federal ganharam importantes parceiros para a exibição de seus trabalhos a um público maior e mais diversificado do que aquele que frequenta o circuito nacional dos festivais de cinema, local tradicional de difusão destes filmes.
São os cineclubes das escolas públicas da Capital da República, montados a partir de um convênio do programa Cine Mais Cultura, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MinC), com 77 instituições de ensino locais, firmado no final do ano passado. As escolas, em sua grande maioria de educação de nível médio, passaram a apresentar aos alunos a produção dos realizadores cinematográficos do Distrito Federal premiados no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
A programação foi montada a partir de uma parceria entre a locadora de vídeos CultVídeo e a Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, que operacionaliza as ações do programa do MinC. O conselho adquiriu dois DVDs produzidos pela CultVídeo, com diferentes coletâneas de curtas-metragens premiados no festival. Os filmes são exibidos com a presença dos cineastas, que vão às escolas debater suas obras com os alunos.
“Eles adoraram os filmes. Para mim foi uma surpresa muito boa”, comentou o cineasta Marcelo Díaz, que teve o documentário “Oficina Perdiz” exibido no Centro Educacional nº 2 de Taguatinga (DF), em maio deste ano. O filme trata sobre a história de um espaço cultural marginal em Brasília, montado dentro de uma oficina mecânica, que ocupa uma área pública irregularmente e está sendo despejada.
Marcelo considera fundamental o papel que o programa Cine Mais Cultura vem desenvolvendo na formação de público para a produção nacional de cinema. Segundo ele, muitos alunos que participaram do debate, no cineclube da escola em Taguatinga, nunca tinham assistido a um filme brasileiro.
Inicialmente, as escolas conveniadas com o Cine Mais Cultura utilizavam os filmes da Programadora Brasil (SAv/MinC) para exibir nos cineclubes, mas graças ao acordo firmado com a CultVídeo, em abril deste ano, foi possível incorporar também a produção cinematográfica dos curta-metragistas do Distrito Federal.
Alternativa Cultural
Para a professora Aída Carla Sposito, responsável pelo cineclube do Centro de Ensino nº 2 de Taguatinga, o cinema na escola ajuda os jovens a despertar para outro tipo de cultura que não seja o exaustivamente veiculado na televisão e nos filmes do circuito comercial de cinema. “Nossos alunos estão estudando a história do Distrito Federal e os filmes são uma forma lúdica de aprender”, comentou a professora.
Ela confessou que chegou a ter receio sobre a recepção que o filme “Oficina Perdiz” pudesse ter entre os alunos, por tratar-se de um documentário, gênero que eles não estão acostumados a assistir. Mas disse ter tido uma grata surpresa com a reação positiva dos jovens, que demonstraram interesse tanto pela arte de fazer cinema como pelo tema abordado no filme.
As escolas públicas conveniadas com o programa Cine Mais Cultura receberam do MinC todo o equipamento para montar as salas de exibição, tais como, o projetor digital, DVD player, telão, sistema de som, microfones sem fio, DVDs da Programadora Brasil, além de terem participado dos cinco dias de imersão na capacitação cineclubista.
Segundo o coordenador executivo do Cine Mais Cultura, Frederico Cardoso, o programa trará ainda mais horas de formação para os operadores dos cineclubes, ampliando as possibilidades do uso do audiovisual nas escolas. O novo curso será viabilizado através do programa Cine Educação, desenvolvido na Cinemateca Nacional (SAV/MinC), que visa estimular a capacitação de professores da rede pública para adotar o cinema como base na promoção de debates críticos e criativos sobre questões relevantes do ensino fundamental e médio.
(Texto: Patrícia Saldanha, Ascom/MinC)
(Fotos: Acervo/Aída Sposito)
Participação do Leitor
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