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Planejamento da Economia Criativa

Cláudia Leitão reúne estados para colaboração com o plano estratégico da nova secretaria

A Secretaria da Economia Criativa, em estruturação no Ministério da Cultura (SEC/MinC), promoveu nesta quarta-feira (20), em Brasília, reunião com os secretários de Cultura dos estados e das capitais brasileiras. O escopo do encontro foi estreitar as relações com os entes e pedir a contribuição dos gestores na construção de ações e políticas públicas a serem implantadas pela nova secretaria.

“Passamos um longo tempo de maturação de um planejamento estratégico dessa nova secretaria do MinC e esse dia para nós é especialmente importante”, afirmou a secretária Cláudia Leitão. Ela explica que a SEC tem papel fundamental na inclusão produtiva, na formação de novos profissionais empreendedores e no desafio de tornar o Brasil um país inovador, porém garante: “Não faremos nada sozinhos, sempre haverá parcerias e vocês fazem parte dessa estruturação”.

A Secretaria da Economia Criativa caminha para a reta final de seu plano de ação que será lançado em agosto. Será apresentada uma série de produtos que funcionarão por meio da ação conjunta entre União, estados e municípios. Na publicação constará, além das diretrizes para o desenvolvimento da economia criativa no Brasil, a metodologia para auxiliar a implantação dessas ações em unidades gestoras voltadas ao tema.

Cultura e Desenvolvimento

Para Cláudia Leitão, a nova secretaria está retomando dentro do MinC o sonho do ex-ministro da Cultura, Celso Furtado, que defendia a dimensão cultural do desenvolvimento. “Nós acreditamos que temos um papel importantíssimo nesse resgate. A Cultura é estratégica na agenda do governo federal na discussão de políticas públicas para o enfrentamento e combate à miséria”.

A dimensão econômica, dentro dos três eixos previstos no Plano Nacional de Cultura, foi o que obteve menor destaque nos últimos anos. “Nós sabemos da importância da dimensão econômica e eu diria que do ponto de vista da Convenção da Diversidade Cultural, a participação dos estados e municípios foi fundamental para chegar onde chegamos”, afirmou Sérgio Mamberti, secretário de Políticas Culturais (SPC/MinC), que também participou da reunião.

Outros países já trabalham a economia criativa como alternativa de desenvolvimento. Em países emergentes, apesar da abundância de talentos criativos, a maioria tem potencial criativo sub-utilizado. Na Ásia e no Oriente Médio, a economia criativa está crescendo rapidamente, já na América Latina destacam-se a Argentina, Chile e México. O Brasil está fora da lista dos 20 principais exportadores de bens criativos e dos 10 mais dentre os exportadores dos países em desenvolvimento.

Pactuação

Aos secretários de cultura dos estados e das capitais foram apresentados os dados mais recentes sobre a economia criativa e as etapas já vencidas do plano de ação da SEC/MinC. Alguns entes já implantaram, ou estão em processo de implantação, de seus planos estaduais ou municipais de cultura. Eles agradeceram o convite para essa construção participativa e se entusiasmaram com o caráter inclusivo do plano estratégico da SEC.

“É importante alinhar todos os caminhos para que o Brasil se torne uma potência criativa, na verdade a potência nós já temos, precisamos ser inovadores”, afirmou Marcos André, coordenador de Economia Criativa do Rio de Janeiro. Já a representante do Pará, Ana Amélia, disse ter tido uma grata surpresa ao chegar para a reunião e notar a preocupação da SEC em se aproximar das secretarias de cultura.

Para a diretora de Economia da Cultura do Rio Grande do Sul, Denise Viana Pereira, “é absolutamente fortuito o momento para o estado”. Segundo ela, “é importante essa forma participativa e estamos totalmente abertos e interessados em poder desenvolver com vocês todo esse trabalho apresentado”, garantiu.

Osvaldo Viégas, secretário de Cultura de Alagoas, parabenizou Cláudia Leitão e sua equipe por transmitirem entusiasmo aos presentes e se colocou à disposição para contribuir na construção de marcos legais para o setor. Observou que chegar em cada município brasileiro será difícil e aconselhou que o foco esteja, a princípio, nos estados.  Janaína Cunha, Superintendente de Ação Cultural de Minas Gerais, gostou do grau de maturidade da SEC/MinC, pois acredita que “o tema é amplo e não definitivo, mas possui alinhamentos definidos, o que facilita a discussão do assunto no país”.

Compartilhamento

Os cinco desafios da Economia Criativa no país foram apresentados aos secretários de Cultura dos estados e capitais. Os gestores foram provocados a propor sugestões para o levantamento de informações e dados da Economia Criativa; Articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos; Educação para competências criativas; Produção, circulação/distribuição e consumo/fruição de bens e serviços criativos e Criação/Adequação de Marcos Regulatórios para os setores criativos.

Dentre as sugestões estão o mapeamento de experiências para o fomento a territórios criativos que já existem no país e a criação de uma rede de espaços criativos. No que diz respeito à Educação, foi proposto um estudo sistemático sobre Economia Criativa e apoio a grupos de estudos nas Universidades.

Foi unânime a sugestão de revisão da lei 8.666/1993, que, segundo os gestores, muitas vezes, atua como um complicador para o trabalhador da cultura. Também sugeriram a criação de um Programa de Incubadoras de Economia Criativa com sede em cada estado.

Serão criados grupos de trabalho permanentes nos estados e capitais para que as atividades prossigam com sucesso. A SEC/MinC irá aos estados e capitais para ajudá-los na construção desses GT’s. Será encaminhado um modelo de minuta para um acordo de cooperação no sentido de criar os grupos e institucionalizar a parceria na implantação de políticas públicas para economia criativa no país.

(Texto: Sheila Rezende)
(Fotos: Lula Lopes, Ascom/MinC)

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12 comentários

  • Vânia Nogueira

    7 de agosto de 2011

    Bom dia,
    A Universidade Federal do Pará- UFPA, através da Pró-Reitoria de Extensão e o Instituto de Ciências das Artes, esta implantando um Programa de Formação em Produção e Gestão em Empreendedorismo Solidário Cultura, e assim diagnosticar a viabilidade da criação de uma Incubadora de empreendimentos culturais solidários.
    Solicitamos que nos seja enviado os dados mais recentes sobre a economia criativa e informações sobre o plano de ação da SEC/MinC, para que possa ser incluído no Programa tais informações. Assim como estamos encaminhando um convite oficial à Secretaria de Economia Criativa, Senhora Cláudia Leitão, para ser fazer presente no lançamento do Programa nos dias 16 e 17 de novembro de 2011, onde estará contribuirmos na construção da formação da citada Incubadora que acreditamos ser um passo qualitativo para o avanço cultural empreendedor no nosso Estado.
    Vânia Nogueira- Ufpa
    Ex. Secretaria Executiva da Lei Semear

    RESPOSTA: envie solicitação pelo link http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria

  • Eugenio

    4 de agosto de 2011

    Há cursos de formação profissional nessa área ?

    RESPOSTA: Eugenio, Para obter informações você deve enviar mensagem para Fale com o Ministério no link http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria

  • José Luís de Freitas

    27 de julho de 2011

    Fico satisfeito em ler um reportagem feliz como essa Finalmente a Economia Criativa Brasileira vai ter ganho de produtividade com ações do MinC. Parabéns!

  • MARINO GALVÃO JR

    25 de julho de 2011

    Como mencionei no post anterior, a SDA BOCCONI tem trabalhado nos últimos 10 anos estudando a economia da cultura. Desde fevereiro tenho tentado me colocar à disposição do Ministério, afinal meus estudos foram custeados em parte por uma Bolsa da FUNARTE e acredito que posso colaborar com a nova secretaria.

    No entanto tenho havido dificuldades em ser ouvido para apresentar o conteúdo acumulado no curso e auxiliar a elaboração de programas de capacitação em Gestão Cultural, que hoje é muito confundida no Brasil com Gestão e Elaboração de Projetos Culturais.

    Sei que com a aprovação do PRÓ-CULTURA a capacitação cultural no Brasil terá que dar um salto de qualidade. Gostaria de saber: o ministério tem interesse nestes argumentos?

    RESPOSTA: Marino, Você pode solicitar informações sobre a sua área de atuação junto ao MinC enviando mensagem para Fale com o Ministério no link http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria

  • MARINO GALVÃO JR

    25 de julho de 2011

    Estou concluindo Mestrado em Gestão do Espetáculo e das Indústrias Culturais na SDA BOCCONI. A primeira “Business School” da Itália (1971) Hoje a número 1 no país pelo Global MBA Rankings 2011 do Financial Times.

    Nosso grupo viu e aprendeu de tudo. Um intensivo de gestão pública, economia, contabilidade, administração e marketing aplicado ao teatro.

    O setor cultural é estagnante e a intervenção do setor público ou do setor privado com financiamentos se faz necessária. Caso contrário o sistema vai à falência pelo seu alto custo de produção. Em economia isso é explicado pela lei da Malatia dos Custos de Beaumol e Bowan (1965).

    No entanto é preciso que a cultura possa compor suas receitas através do apoio do setor privado, do setor público e do mercado. Isso é fundamental para que não tenhamos um sistema 100% dependente do estado.

    A profissionalização e a aproximação com economistas e administradores com capacidade de entender as particularidades do setor cultural é fundamental.

  • Rita Borges

    22 de julho de 2011

    Fico bem contente que todos estejam pensando como eu.
    Sou Gestora Pública Cultural, e faz um tempo que me incomoda o fato de nós Mecenas que nunca seremos extintos, fazer algo para que os artistas caminhem com as próprias pernas como empreendedores. Não acho muito certo só darmos a eles mesadas para fazerem terapia ocupacional, eles precisão se tornar profissionais e viverem do lucro do seu próprio produto. O mais difícil é eles mesmos acreditarem nisso. Precisamos ensinar-los, capacitá-los e treiná-los. Para isso precisamos de profissionais que são formados em Economia e Administração para serem nossos mestres e dos artistas. Eles aprendem a vender, a empreender e a comercializar qualquer produto, Então por que não o Cultural também? Por que não o produto Artístico também?
    Acho que é por esse caminho que temos que buscar a solução. Criar empresários artísticos que pense com a razão. O artista sempre pensa com o coração, por isso não consegue ser um bom empreendedor.

  • Jaime Balbino

    22 de julho de 2011

    Parece-me que a SEC tem uma falha fundamental. Ela quer desenvolver ações de economia local dentro do MinC sem articular-se com o Ministério do Planejamento e o Ministério do Desenvolvimento. Abaixo, Alberto, cita isso também.
    As secretarias de cultura não possuem envergadura e liderança para isso. Se de fato foi feito planejamento estratégico, isso foi constatado. Há uma dependência nesse campo de outros órgãos e tal projeto gestado exclusivamente no MinC tem um futuro incerto.
    Acho que o MinC deveria ter negociado com o SEBRAE e delegado a ele essa função, mantendo uma parceria em que o MinC ditasse regras e influisse nas ações.
    O SEBRAE tem capilaridade nacional e expertisse em desenvolvimento econômico local. Essa nova SEC está começando a desenvolver agora essas qualidades e sobre uma frágil e até inexistente base (recursos do MinC e secretarias de cultura).

    Resposta: Olá, Jaime! A SEC/MinC já se reuniu com o Ministério do Desenvolvimento, bem como outras Pastas da Esplanada para também estreitar os trabalhos. Se reuniu, ainda, com o sistema S e outras agências de fomento. Continue acompanhado o trabalho da SEC aqui pelo site. Abç!

  • Carlos Henrique Machado

    22 de julho de 2011

    MinC já inventou a SEC- Secretaria da Economia Criativa, agora está tentando inventar o produto desta engenhoca para, depois, inventar o consumidor.

  • Hudson Romério

    21 de julho de 2011

    Prezados Senhores,
    Primeiro quero parabenizar o MinC por essa ótima ideia: a Secretaria da Economia Criativa.
    Gostaria de saber como o Estado de Roraim pode fazer parte e contribuir com esses estudos e o GT? Estamos construindo nossa Secretaria de Cultura, será muito bom tê-los como parceiros.
    Agradeço por tudo.

    Hudson Romério
    Gestor Publco Cultural

    RESPOSTA: Prezado, Para obter informações você deve enviar mensagem para Fale com o Ministério no link http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria

  • Alberto de Avyz

    21 de julho de 2011

    Algo que poderia ser extremamente interessante e facilitaria a viabilidade de criação de uma verdadeira ‘economia criativa’ seria começar um diálogo mais estreito com o Min. de Desenvolvimento e com o SEBRAE, sobre os setores da Cultura que já atuam e existem referendados como MEI. Facilitar-lhes a questão de emissão de NF e/ou algum mecanismo que ajude a desonerar o pequeno produtor e o artista independente de questões tributárias exorbitantes seria O grande avanço da política pública da cultura neste governo.

    Resposta: Olá, Alberto! A SEC/MinC já se reuniu com o Ministério do Desenvolvimento, bem como outras Pastas da Esplanada para também estreitar os trabalhos. Se reuniu, ainda, com o sistema S e outras agências de fomento. Continue acompanhado o trabalho da SEC aqui pelo site. Abç!

  • Planejamento da Economia Criativa | Africas

    21 de julho de 2011

    [...] Ministério da Cultura – MinC [...]

    • Zezito de Oliveira

      22 de julho de 2011

      Aqui em Sergipe participei no segundo semestre de 2009 de um grupo local de trabalho de Economia da Cultura ( cidade de São Cristóvão) , iniciativa da Secult-SE. Inicialmente foi elaborado um diagnóstico e ainda aguardo a apresentação do relatório final.

      Quem sabe esta iniciativa do MINC não ajuda na retomada desse processo.