Conceito de municípios criativos ganha espaço para revitalizar laço entre governo e sociedade e redefinir estratégias de negócios

Ana Carla: trunfo de cidades é reconhecer suas singularidades, e não copiar experiências alheias. Foto: Henrique Manreza.
A canadense Montreal é considerada a cidade do design, enquanto a colombiana opayan foi a primeira a ser definida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como cidade gastronômica. Na basca Bilbao, a década de 1990 foi o momento de implementar uma estratégia de reposicionamento que a livrasse da recessão industrial que se arrastava há mais de duas décadas — parte disso foi a construção do Museu Guggenheim, passo inicial que, só no ano de inauguração, recebeu quase 1,5 milhão de visitantes. Em Abu Dhabi, o governo investe em um distrito cultural para tornar perene sua economia quando o petróleo já não for capaz de garantir essa estabilidade. Os exemplos são abordados em livros e artigos da economista Ana Carla Fonseca Reis, que trocou a carreira executiva na Unilever para se dedicar ao universo da economia criativa e hoje consultora independente da ONU e fundadora da Garimpo de Soluções. Entre os temas de sua especialidade estão as cidades criativas que, sem fórmula única, encontram maneiras de tornarem singulares. “Cidades criativas são aquelas capazes de encontrar dentro de si a solução para seus problemas”, define.
No Brasil, ela destaca a atratividade do festival literário em Paraty, no Rio de Janeiro, e de jazzem Guaramiranga, no Ceará. Mas o trabalho atual desenvolvido por Ana Carla é justamente mapear as cidades brasileiras como potencial criativo, para que empresas e governos possam traduzir esta lista em estratégia de negócios, uma vez que a economia criativa provoca reação em cadeia. Exemplifica com a moda brasileira que, ao se disseminar pelo mundo, exige do setor têxtil uma diferenciação. “Afeta até mesmo o produtor de algodão, que pode buscar formas inovadoras de plantio e melhoramento do produto.”
O que é uma cidade criativa?
Umacidade criativa não é necessariamente uma na qual a economia criativa é mais pujante, mas que sua criatividade pode impulsionar outras estratégias prevalentes, a exemplo do turismo. Do mesmo modo, a economia criativa pode desabrochar em locais que não são caracterizados por cultura ou conexões.
(A matéria na íntegra pode ser lida na edição do jornal Brasil Econômico do dia 22/8/2011, página 18.)
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