Melhorar a utilização dos recursos públicos deve ser prioridade para os gestores, afirmou o secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, João Roberto Peixe, durante palestra no Seminário Carioca pela Democratização da Comunicação e da Cultura, na última sexta-feira (23/9), no Palácio Capanema no Rio de Janeiro. O encontro foi promovido por uma frente parlamentar da Câmara dos Vereadores do Rio.
Ao dar boas vindas ao secretário e demais participantes do encontro, o representante regional do MinC no Rio de Janeiro e Espírito Santo, André Diniz, destacou a importância da ampla discussão das políticas públicas: ”Quanto mais interação com a sociedade melhor. É preciso diálogo com a ponta do sistema”. Diniz lembrou também que os meios de comunicação são fundamentais na divulgação das políticas culturais.
Planejamento
Segundo Peixe, as políticas públicas precisam ser planejadas e estruturadas a longo prazo, evitando as iniciativas pontuais e utilizando melhor os recursos financeiros e a mão de obra disponíveis. “É importante ampliar os recursos para o setor, com a emenda constitucional 150 e o Procultura, mas temos também que usar melhor os recursos através do trabalho articulado entre os três níveis de governo e a sociedade”, ressaltou.
O secretário destacou a importância da gestão compartilhada para a democratização da cultura : “A sociedade deve ter um papel fundamental e intransferível na construção e no acompanhamento das políticas públicas”, afirmou. Segundo ele, ainda existe muita resistência entre integrantes do Executivo e do Legislativo em relação à participação da comunidade na gestão cultural: “Eles têm medo de perder espaço” na formulação destas políticas, comentou.
Peixe acrescentou que a gestão cultural só se organizará de forma consistente e duradoura quando cada município e cada estado tiver implantado seu sistema de cultura e consolidado uma legislação específica para o setor.
O secretário afirmou ainda que hoje não só as expressões artísticas são consideradas cultura. O conceito foi ampliado para incluir outras formas de expressão que caracterizam a diversidade cultural das sociedades. Segundo ele, é preciso levar em conta as dimensões simbólica, cidadã e econômica da cultura. Além disso, ela não pode mais ser pensada como algo isolado. Deve ser vista de maneira transversal, como uma política articulada com outras áreas do governo, como o turismo, o esporte, a educação, a saúde, o trabalho e os direitos humanos. Peixe comentou que eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 são ótimas oportunidades para mostrar a diversidade cultural do país.
Quanto ao outro tema do encontro – democratização da comunicação – o secretário destacou a interligação entre comunicação e cultura e lembrou que hoje as novas tecnologias e os meios de comunicação permitem os contatos com novos interlocutores. Mas acrescentou que nada substitui o contato direito na comunicação.

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