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sábado, 26 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Festival Europalia.Brasil

Discurso da ministra Ana de Hollanda na cerimônia de abertura do evento em Bruxelas

Excelentíssima Senhora Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff,

Sua Alteza Real, Rei Alberto II, da Bélgica,

Excelentíssimo Senhor Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso,

Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota,

Excelentíssimo Senhor Embaixador do Brasil na Bélgica, André Amado,

Excelentíssimo Senhor Embaixador da Bélgica no Brasil, Claude Misson,

Ilustríssimo Senhor Sérgio Mamberti, Comissário-Geral Brasileiro do Festival Europalia.Brasil,

Ilustríssimo Senhor Pierre Alain de Smet, Comissário-Geral Europeu do Festival Europalia.Brasil,

Ilustríssimo Senhor Presidente do Europalia Internacional, Comte Jacobs de Hagen,

Senhores Representantes das Empresas Patrocinadoras do Festival,

Demais autoridades presentes,

Artistas, curadores, senhoras e senhores,

Foi com grande honra que o Brasil recebeu o convite para ser o país homenageado na edição 2011 do Festival Europalia. Após as bem-sucedidas edições de 2005, dedicada à Rússia, e de 2009, dedicada à China, sentimo-nos profundamente estimulados pela oportunidade de celebrarmos, no coração da Europa, e por intermédio de nossas expressões culturais, a chegada do Brasil a esta merecida posição de destaque no concerto das nações.

Tal convite, no entanto, mostrou-se para o governo da Presidenta Dilma Rousseff um duplo desafio. De um lado, o desafio de reunirmos, logo ao início do mandato, uma mostra representativa do que de melhor o Brasil tem a apresentar em toda a diversidade e amplitude de sua cultura. De outro lado, o desafio de reinventarmos, agora em um plano de igualdade e mútuo respeito, o diálogo de cinco séculos que a cultura brasileira tem sabido manter com a Europa. Com isso, estaremos indo além do plano da cultura propriamente dita, para aproximarmos nossos povos, promovendo um ambiente em que as diferenças deixam de ser vistas como obstáculo, para se tornarem convite à criatividade e fundamento da paz.

Sempre fomos um país respeitado no exterior pela força de nossa cultura. Mas se antes o esplendor da cultura brasileira contrastava com a precariedade de nossos indicadores sociais, hoje podemos constatar que esse quadro se alterou. Chegamos aqui com a altivez de uma nação que está avançando nas conquistas sociais sem perder a delicadeza de seu espírito. Estamos vencendo a batalha contra a pobreza, ao mesmo tempo em que resgatamos o dinamismo de nossa economia. E isso o fazemos enquanto aprofundamos os avanços democráticos e colocamos em prática o compromisso de proteger e promover a diversidade cultural em nosso país. Uma nova classe média se ergue no Brasil, movida por anseios que vão muito além do mero bem-estar material.

Aristóteles, em sua Metafísica, ensinou-nos que “Todos os homens, por definição, desejam saber”. Passados mais de 23 séculos, nós no governo da Presidenta Dilma Rousseff, emendamos a lição do filósofo para dizer: Todos os homens e mulheres, por definição, desejam cultura. De fato, não há Brasil, nem brasileiros, sem o samba ou o maracatu; sem o carnaval e as festas de São João; sem o carimbó e as oferendas a Iemanjá. Nós somos quem somos porque nos criamos com o Sítio do Picapau Amarelo e o Castelo Rá-Tim-Bum; porque educamos o olhar através das telas de Tarsila, Portinari e Hércules Barsotti; porque desde cedo sorvemos os versos de Vinícius, Drummond e Paulo Leminski; porque lemos Érico Veríssimo, Guimarães Rosa e João Ubaldo Ribeiro; porque compreendemos a possibilidade de ousar com José Celso Martinez, Gláuber Rocha e Walter Moreira Salles. Ser brasileiro, em suma, é viver cultura. E essa nossa cultura vibrante, diversificada e em permanente diálogo com o mundo contemporâneo trazemos hoje para a Europa.

De 04 de outubro de 2011 a 15 de janeiro de 2012, teremos a oportunidade de apresentar uma grande variedade de exposições, atrações musicais, espetáculos de teatro, dança e circo, mostras de cinema e mesas sobre literatura, expondo um pouco do que de melhor se faz no Brasil. Nenhuma cultura pode viver isolada. A fonte de toda criatividade e de toda verdadeira renovação está no convívio estimulante e respeitoso com a diferença. Para sermos ainda mais brasileiros, precisamos ser cada vez mais abertos e plurais. Por isso, abraçamos com entusiasmo e sincera gratidão a oportunidade que nos foi propiciada de levar adiante o Festival Europalia.Brasil.

A realização deste Festival não teria sido possível, contudo, sem a existência da Lei de Incentivo à Cultura e sem o patrocínio de algumas das mais importantes empresas públicas e privadas do Brasil, cujos representantes nos acompanham nesta cerimônia. Agradeço à Vale, nosso patrocinador diamante, por seu apoio decisivo, por seu espírito público e por sua exemplar conduta nas causas sociais, ambientais e culturais. Agradeço, também, ao Banco do Brasil e à Tractebel Energia, nossos patrocinadores ouro, por seu firme compromisso com a promoção da cultura brasileira. E agradeço, ainda, aos nossos patrocinadores prata, BNDES, Eletrobrás, Correios, Grupo Votorantim, Banco Safra, Oi, Ambev, Banco Itaú, Correios e Embraer, pela disposição permanente em colaborar com o Ministério da Cultura em iniciativas prioritárias do governo federal. Esse importante grupo de empresas – cujas áreas de atuação vão da mineração à produção de energia, dos serviços financeiros à telefonia, da indústria de base à exportação de alimentos, da fabricação de bebidas à produção dos mais modernos aviões – nos dá uma mostra do quanto o Brasil avançou nos últimos anos, para tornar-se um país moderno e competitivo, com uma economia que está à altura de sua produção cultural.

Gostaria, por fim, de registrar nosso reconhecimento pelo trabalho exemplar desenvolvido pela equipe do Europalia Internacional, comandada por Kristine de Mulder, bem como pelo esforço, verdadeiramente titânico, levado adiante por nossos curadores, por nossas produtoras e pelas equipes da Diretoria de Relações Internacionais do Ministério da Cultura, Fundação Nacional das Artes (Funarte), Associação Cultural da Funarte, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Museu Nacional de Belas Artes, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Cinemateca Brasileira, Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores e Embaixada do Brasil em Bruxelas. Se hoje estamos aqui, isso se deve ao esforço de inúmeros funcionários, parceiros e colaboradores, movidos pelo amor ao Brasil e orgulhosos de poder mostrar nossa arte ao mundo.

Para terminar, gostaria de convidá-los a visitar esta bela exposição, para a qual trouxemos algumas das mais importantes obras produzidas na história de nosso país. A partir de amanhã, se iniciará uma programação intensa e instigante, que, estou certa, lhes fará sentir como se agora o Brasil fosse aqui.

Bom proveito e muito obrigada a todos.

 

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