Artistas e grupos folclóricos de Pernambuco fizeram as honras da casa na cerimônia da Ordem do Mérito Cultural 2011. A abertura do evento foi marcada por uma profusão de cores que irradiavam das fantasias dos caboclos de lança do Maracatu Piaba de Ouro. O grupo trouxe a lembrança do rabequeiro Mestre Salustiano, falecido em 2008, fundador do grupo e conhecido pela dedicação na preservação e difusão de manifestações populares como o Cavalo Marinho, a Ciranda e, claro, o Maracatu.
Na sequência, o Hino Nacional foi executado pelos músicos mirins da Orquestra Criança Cidadã. O projeto atende 130 jovens, entre 3 e 17 anos, de um dos bairros mais violentos da Região Metropolitana do Recife, a Comunidade do Coque. Os alunos recebem gratuitamente aulas de instrumentos de corda, percussão, teoria musical, flauta doce e canto coral, contando ainda com apoio pedagógico, psicológico e médico.
O encerramento ficou por conta do Maestro Forró e da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (OPBH) que, juntos, apresentaram um pout-pourri de canções eruditas e populares, provocando o misto de euforia e surpresa típicos em suas performances, já que a postura dos músicos e os arranjos são bem distintos daqueles encontrados na composição de uma orquestra tradicional. As releituras musicais da OPBH resultam de um trabalho de formação profissional e cidadã, iniciado em 2002, no bairro da Bomba do Hemetério, situado na Zona Norte do Recife.
Tema e homenagem
Para fazer jus ao tema desta edição, “Pagu: Sonho, Luta e Paixão”, em homenagem a Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), a Ordem do Mérito Cultural 2011 exibiu vídeos ao longo da cerimônia que remontaram os ideais e o trabalho desta, que foi jornalista, romancista e musa inspiradora do movimento antropofágico brasileiro. A direção artística da solenidade foi do cineasta e roteirista Paulo Caldas, e teve consultoria da pesquisadora Lúcia Maria Teixeira Furlani.
Lúcia Maria Teixeira Furlani é escritora e pesquisadora do tema Pagu há 23 anos. Suas obras e iniciativas culturais sobre Patrícia Galvão foram responsáveis pelo resgate da memória da militante política, cujo centenário foi comemorado em 2010. “Estou muito feliz em ter colaborado no desenvolvimento desta homenagem, pois acredito que assim, revelamos não só a história da mulher extraordinária que foi Pagu, mas também um pouco da história do Brasil, sobre um período que ainda se sabe pouco”, falou a pesquisadora. Através de seu trabalho, Furlani reuniu o maior acervo sobre Pagu, composto por três mil documentos, incluindo originais, cartas, fotos, livros, cadernos e manuscritos. Parte deste patrimônio está disponível no site www.pagu.com.br.
(Texto:Maira Brandão, Ascom/RRNE/MinC)
(Fotos: Luciana Ourique, Ascom/MinC)
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