A ministra da Cultura do Brasil, Ana de Hollanda, e o secretário nacional de Cultura da Argentina, Jorge Coscia, assinaram no dia 15 de novembro, na Academia Nacional de Ciências Exatas, Físicas e Naturais, a Declaração de Buenos Aires, marcada pela abrangência de áreas, e um Memorando de Entendimento específico sobre os Pontos de Cultura. Os dirigentes da Biblioteca Nacional de cada um dos dois países também firmaram Termo de Cooperação para o desenvolvimento de um projeto comum, parte do qual já está pronto e disponível.
As secretárias de Economia Criativa e da Cidadania e Diversidade Cultural (ambas em fase de estruturação no MinC), Cláudia Leitão, e Márcia Rollemberg, participaram de reuniões setoriais de discussão e preparação dos acordos. A visita oficial, que ocorreu entre os dias 14 e 16, incluiu, ainda, coletiva de imprensa e visitas a instituições centrais da cultura argentina.
Abrangência
A Declaração de Buenos Aires sinaliza um compromisso de integração com a cidadania e a diversidade cultural, por meio de um extenso conjunto de áreas e programas que já são desenvolvidos ou serão implementados por ambos os países. Foram abordados os Pontos de Cultura, o intercâmbio artístico, a identidade cultural, a economia criativa (leia mais), o livro e a leitura, além do audiovisual, patrimônio cultural e museus.
“Passamos séculos com nosso olhar voltado à Europa; agora, estamos nos dedicando à integração dos nossos países”, afirmou a ministra Ana. Para ela, o fato de o Brasil e a Argentina serem os países de maior peso na América do Sul, é poderoso indutor de desenvolvimento cultural para a região como um todo.
O secretário Jorge Coscia concordou com a ministra. “Até os anos 50, a Argentina não construía pontes sobre o Rio Paraná em direção ao Brasil porque pensava sempre na hipótese de uma guerra; hoje, estamos justamente construindo e fortalecendo pontes de outra natureza, as pontes da cultura.”
A Declaração enfatiza “a importância de incentivar a criação de programas conjuntos de tradução de livros e a troca de experiências nas áreas acadêmica e de gestão pública, bem como o reforço da participação de ambos os países em feiras de livros. Reforçaram também a intenção de desenvolver uma biblioteca virtual com obras dos dois países, tendo como ponto inicial a coleção do historiador argentino Pedro de Angelis.”
Outro ponto enfatizado pelo documento diz respeito ao “papel da economia criativa no desenvolvimento econômico e social” e à “cooperação bilateral no que se refere à construção de estratégias de desenvolvimento local e regional a partir do eixo da cultura.”
Biblioteca Digital
A Declaração e o Memorando de Entendimento foram assinados no âmbito do Acordo de Integração Cultural entre Brasil e Argentina, de 1997, e do Programa Executivo de Cooperação Cultural 2009-2011, de 2008.
A ministra e o secretário de Cultura argentino deram entrevista a veículos de comunicação como o Clarín, Página12, Agencia EFE, Telam, Folha de São Paulo e outros.
Sempre acompanhada do embaixador do Brasil na Argentina, Enio Cordeiro, a delegação brasileira visitou ainda a Biblioteca Nacional da República Argentina, onde os dirigentes da Biblioteca Nacional de cada um dos dois países, Galeno Amorim, e Horacio Gonzáles, firmaram o Memorando de Entendimento sobre a Biblioteca Digital Pedro de Angelis. (Saiba mais)
Também foram visitados o Museu do Livro e Linguagem, o Museu do Bicentenário, erguido sobre as fundações recuperadas de um forte portenho do século XVI; e o Museu Malba, onde o colecionador Jorge Costantini mantém uma obra capital do Modernismo Brasileiro, o Abaporú, de Tarsila do Amaral.
Leia mais:
(Texto: Nei Bomfim, Ascom/MinC)
(Fotos: Mariana Russo/Secretaría de Cultura de la Nación)


















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