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sábado, 26 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
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Europalia.Brasil: revisão de posições

Para professor belga, mostras como Terra Brasilis levam a repensar país não somente por europeus, mas também por brasileiros

O professor emérito aposentado da Universidade de Louvein, Eddy Stols, é um dos curadores da Terra Brasilis, uma das 23 mostras do festival Europalia (mais de 500 atrações em cinco países, focadas no Brasil). Aberta até 12 de fevereiro de 2012 no Espaço Cultural ING, em Bruxelas, a exposição impressiona pela reunião, inédita, de acervos de personagens fundantes da iconografia e da temática da identidade brasileiras. As centenas de desenhos, pinturas, esculturas, coleções de objetos, além de mapas e tratados de etnologia, medicina, botânica etc. revelam o europeu maravilhado com o novo país e o registrando como natureza imbatível. Vêm de diversos países e de ícones como Debret, Rugendas, Eckhout e outros que, isoladamente, são conhecidos –a novidade absoluta é poder vê-los finalmente juntos.

Para Stols, professor de história que passou um ano no Brasil, uma mostra como a Terra Brasilis –e o próprio festival Europalia– leva europeus a verem o país de outra maneira. Mas, também, força a que os próprios brasileiros também revisemos algumas concepções. Confira as posições de Stols:

Imposição e contribuição

“Toda esta abundância de imagens, de escritos, de objetos reflete o europeu metendo o nariz no Brasil, impondo seus clichês. Mas, às vezes, se tem uma ótica interessante vinda do Velho Mundo, e que mostra ao país o que ele é por meio de olhares de personalidades interessantes que viveram ou passaram um bom tempo no Brasil, que atraiu tantos viajantes.”

Modelos para o olhar

“Há uma certa dificuldade em se ver corretamente o Brasil porque os europeus sentem uma necessidade de usar como parâmetros civilizações antigas, como a dos egípcios ou mesmo dos incas. Como o Brasil não teve incas, é como se, aos olhos europeus, faltasse uma pré-história do país.”

Subavaliação I

“Tanto europeus, quanto brasileiros têm clara dificuldade de reconhecer a importância de certos períodos ou contribuições. Vocês, brasileiros, às vezes subestimam o passado português, em favor de outros povos, como os holandeses. É verdade que o passado português é mais de escrita do que de imagens –produzidas por viajantes de outras nacionalidades, como os franceses e holandeses, por exemplo, e que impressionam mais por serem imagens. Já do seu lado, muitos europeus desconhecem, por exemplo, a presença de franceses no país.”

Subavaliação II

“Como não se dá importância a certas contribuições, há um quase completo desconhecimento de uma personalidade como o brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira. Ele é autor de centenas de registros, desenhos do que era então o Brasil e, neste sentido, pode ser comparado a um Humboldt (cientista alemão que viajou pelo Brasil no século 19).”

A visão fantástica

“A visão da nova terra era toda pautada pelo exótico. Temos vários relatos de viajantes, de Staden a Theodore De Bry, que exploram o canibalismo. Assim, no imaginário europeu a idéia que se tinha do Brasil por muito tempo era a de que quem viajasse para encontraria apenas índios, e índios que nos iriam devorar. Ou os papagaios, por exemplo. Saíram de lá (do Brasil) navios cheios dessa ave, que maravilhava os europeus. A ponto de Antuérpia (cidade belga que chegou a ser a mais rica do mundo no Século 16) ser conhecida como a ‘a cidade dos papagaios’.”

Impacto econômico

“Outro benefício que uma mostra assim traz à imagem do país aqui na Europa envolve o lado econômico. Eu sinto que falta ao Brasil colar ‘labels’ [etiquetas de produto] nas suas riquezas. Por exemplo, se pensava que o caju, um forte produto brasileiro, viesse somente da Índia, por causa do nome [cashew]. Eu mesmo achava que o abacaxi era apenas do Havaí. Uma mostra ou um festival como este ajuda também neste sentido: divulga o país e o que é do país.”

O festival

O Europalia.Brasil é o maior festival de cultura da Europa. Nesta 23ª edição, homenageia o Brasil. A participação do país é bancada pelo MinC, associando-se nesta iniciativa Funarte, Associação Cultural Funarte, Ibram, Iphan, Ministério das Relações Exteriores/ Embaixada do Brasil em Bruxelas, Apex Brasil e CNI. Apóiam BNDES, Correios, Eletrobrás, AmBev, Embraer, Banco Safra e Votorantim. Entre os patrocinadores, Banco do Brasil e Tractebel Energia são ouro, e Vale, diamante.

Confira a programação geral do Europalia.Brasil

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