Porto, 16 dez (Lusa) – A secretária de Estado da Economia Criativa do Brasil, Cláudia Sousa Leitão, defende que “a cultura é uma saída” para a crise que a Europa atravessa e não um fardo financeiro.
“A cultura é uma alternativa para o velho modelo económico sobe o qual se construiu” a Europa, reforçou Cláudia Sousa Leitão, em declarações à Agência Lusa, pouco antes de intervir na sessão de encerramento do VII congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), na Faculdade de Economia do Porto.
Meios Digitais e Indústrias Criativas – os efeitos e os desafios da Globalização é o tema principal deste congresso, que contou com cerca de 300 participantes em mais de 120 sessões temáticas.
A governante brasileira afirmou que “a cultura é uma saída porque ela é inclusiva, porque permite grandes arranjos e a sobrevivência dos pequenos” agentes.
Cláudia Sousa Leitão testemunhou este facto numa visita à Austrália, que “tem trabalhado a cultura para os pequenos, os microempreendedores e as incubadoras”.
A governante disse ter observado nesse país como as universidades têm papel ativo “na pesquisa, produzindo dados” para apoio a “políticas públicas” culturais.
Os australianos “compreenderam o valor dessa nova economia e construíram uma nova educação”.
A secretária de Estado diz que, “de forma alguma”, a cultura não pode ser vista como um fardo financeiro, considerando antes que deve ser encarada como “um investimento”.
“Como disse à presidente Dilma Rousseff, alguns setores dessa economia precisam de ser considerados investimentos, porque o que nós temos é a possibilidade de construirmos um novo modelo civilizacional”.
No que toca ao Brasil especificamente, a sua opinião é que o país deve “ocupar uma posição liderante junto da América Latina” também neste campo e tem também “um lugar para ocupar em África e junto dos países africanos de língua portuguesa”.
Alguns setores da economia criativa “são completamente sustentáveis”, tendo Cláudia Sousa Leitão mencionado “a moda, o design e a arquitetura”.
Outros, porém, “jamais serão sustentáveis economicamente e é bom que não sejam, porque têm um papel na sustentatibilidade social fundamental”, como é o caso da “cultura popular tradicional”.
“São eles que criam a sociabilidade, os cimentos comunitários, a vida na periferia das grandes cidades brasileiras”, considerou.
No Congresso, a secretária de Estado brasileira fez “uma pequena fala” sobre a ideia de “um novo reposicionamento do Ministério da Cultura” do seu país nas “discussões relativas ao desenvolvimento”.
Instada a deixar conselhos para as autoridades portuguesas sobre a matéria, Cláudia Sousa Leitão respondeu “que o primeiro convite” para falar fora do Brasil foi para intervir no fórum Portugal Criativo, que se realizou em Março, no Porto.
“Surpreendeu-me positivamente que a região do Porto tivesse uma agência regional” atenta à economia criativa e “não vejo Portugal perder lugar” na discussão em curso no Mundo sobre questões como “a relação com o território” ou “a necessidade de se pensar economia criativa com o desenvolvimento económico”.
AYM.
Lusa/fim.
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