A Europalia acabou neste domingo com um saldo positivo para o Brasil. A avaliação do embaixador do Brasil na Bélgica, André Amado, é que houve uma mudança na visão do europeu em relação ao país, apesar de o “belga mediano” ainda ter preferido ver a chamada “caricatura” do Brasil. Prova disso que uma das exposições mais procurada foi “Índios no Brasil”, prorrogada até 14 de abril de 2012.
“O belga, em alguma medida, lamentou não ser caricatura. Ele foi treinado para ver caricatura. Mas, por outro lado, aquele mais informado, o formador de opinião, ficou fascinado com o que viu do Brasil .
“Pena que a Europalia não possa circular pelo Brasil. O presidente da comissão européia, José Manuel Durão Barroso, disse na inauguração: No final de semana volto com a minha família, mas a presidente Dilma nunca mais vai ver isso”, disse o embaixador.
Amado destacou que não foram as artes plásticas, mas as cênicas a grande surpresa – apesar de ter destacado algumas exposições como Brazil.Brasil, que traz um panorama da arte brasileira. O embaixador disse que os espetáculos de dança da Quasar, do Grupo Corpo, do Balé Folclórico da Bahia foram “um cala a boca”.
“A grande surra que a gente dá na Europa com a nossa produção cultural, ao lado da beleza e da criatividade, é a imensa capacidade de integrar povos. Incorporamos a cultura dos outros e colocamos para fora na nossa brasilidade”, diz Amado.
O embaixador diz que houve um esforço grande logístico, de programação e financeiro, com envolvimento de 700 pessoas contratadas, e que, por isso, “o Brasil não pode terminar na Europalia”. “É lógico que não podemos pretender ter uma a cada ano. Mas tenho de continuar a ter aqui a expressão qualificada da cultura brasileira”, afirmou. Em almoço com o ministro interino da Cultura, Vitor Ortiz, ele conversou sobre isso e, ambos, chegaram à conclusão da necessidade da continuidade de ações culturais na Europa.
“Pode ser efêmero ou a semente de algo importante”. A ideia, segundo ele, é levar a Europa espetáculos do Brasil. “É preciso carimbar: é Brasil, é bom e não é caricatura”.
O embaixador disse que já existem conversas com empresas belgas sobre esta continuidade, assim como deverão ser procuradas empresas brasileiras para deixar uma programação na Europa.
Amado lembra que a ter programação em Bruxelas é importante, pois os formadores de opinião estão passando por pela cidade, que é a sede da União Européia. “É acertar em 27 países ao mesmo tempo. Seria uma pena ter uma Europalia e depois um silencio”.
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