O Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio de seu Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), inauguram nesta quinta-feira, 26, às 17h, a exposição Louça Morena Puxada à Mão: o fazer do barro no povoado de Poxica, que ficará em cartaz até o dia 4 de março, na Galeria Mestre Vitalino, do CNFCP, no Rio de Janeiro. O trabalho envolve exposição e venda de louças de barro produzidas por mulheres de uma das mais importantes localidades brasileiras de tradição popular na produção e comercialização de louças de barro – Poxica -, situada no município de Itabaianinha, em Sergipe.
A mostra faz parte do projeto Sala do Artista Popular (SAP), que é uma realização do Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e da Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec). Excepcionalmente, esta edição da SAP será realizada na Galeria Mestre Vitalino.
A Louça Morena se distingue das técnicas tradicionais de produção de cerâmica no Brasil porque não utiliza o rolete, herança indígena, nem o torno, herança européia. Alguidares, moringas e ‘passarinhos’ são alguns dos diversos componentes da exposição. As peças possuem grande riqueza de detalhes.
De geração em geração
As artesãs de Poxica modelam mais frequentemente vasilhas arredondadas – ‘passarinhos’, caqueiros, pratos e alguidares. Produzem, mais recentemente, travessas, panelas, xícaras, bules, sopeiras, flores, moringas e outras peças. O trabalho é ensinado às mulheres, quando ainda são crianças.
Elas começam a aprender brincando, fabricando miniaturas para as brincadeiras, olhando as mães. O aprendizado da louça se iniciava com os “passarinhos”, pequenas vasilhas assim chamadas porque nelas era costume deixar água para essas aves virem beber e se refrescar. À medida que aprendiam as técnicas, as peças iam aumentando de tamanho.
Com sua técnica e dom artístico, as mulheres preparam o barro, a queima e fabricam, além das peças, as tintas naturais que as enfeitam. As tinturas são feitas com base vegetal, a partir da infusão de lascas dos troncos de jurema, cajueiro ou miritizeiro. O nome do trabalho artesanal foi dado pela escritora Cecília Meireles.
Localização
Itabaianinha está situada na região centro-sul do estado de Sergipe, a 118 km de Aracaju, com aproximadamente 38.000 habitantes divididos entre os cerca de 100 povoados da região. É referida sempre como a “Princesa das Montanhas”, como a teria batizado o poeta sergipano João Pereira Barreto, por sua localização entre cadeias de montes.
A exposição e venda das peças de Louça Morena Puxada à Mão estarão à disposição do público até o dia 4 de março, de terça a sexta-feira, no horário das 11h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados, das 15h às 18h.
O CNFCP fica na Rua do Catete, nº 179, e a Galeria Mestre Vitalino tem acesso pelo Parque do Museu da República.
(Texto: Nemésia Antunes, Ascom/MinC)
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