Qualificar a vivência cultural na infância, juventude e terceira idade
A infância e a juventude são fases de experimentação e formação de identidades. No entanto, a essas faixas etárias se oferece cada vez mais um repertório cultural homogeneizado, com conteúdos impostos pela indústria cultural e pelos meios de comunicação de massa. Ao mesmo tempo, via de regra, crianças e jovens brasileiros passam por uma escolarização precária que separa a educação da cultura.
A situação é ainda mais grave quando se trata de jovens das camadas populares. Esses, devido às recentes transformações do mercado de trabalho, têm limitadas perspectivas de inserção produtiva e reduzido acesso a bens e serviços culturais. Além disso, considerando a atual conjugação entre o tráfico de drogas e a proliferação de armas, são muitos os jovens diretamente atingidos por distintas formas de violência física e simbólica, sobretudo aqueles que vivem em áreas pobres e violentas alijadas dos equipamentos de cultura e lazer.
Os idosos, por sua vez, formam um segmento populacional que se amplia rapidamente, aproximando a pirâmide etária brasileira do quadro censitário dos países desenvolvidos. No entanto, o país carece de políticas públicas consistentes de inclusão do idoso em projetos que atendam às suas necessidades específicas.
O desafio das políticas de inclusão cultural é, portanto, oferecer o acesso à cultura considerando demandas específicas dos diferentes momentos do ciclo de vida, o que inclui a troca de experiências intergeracionais, adequação dos espaços públicos e formação de políticas ativas de estímulo à expressão simbólica desses grupos.
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