Estabelecer uma política nacional de formação profissional, pesquisa, registro e difusão da música de concerto
Sem ter alcançado o mesmo prestígio social das expressões populares, a música de concerto brasileira carece de uma política ampla de valorização e expansão de seu repertório. O problema afeta tanto a produção de períodos mais remotos, como o colonial e romântico, quanto a história recente dos ciclos moderno e contemporâneo.
A oferta de ensino de teoria e escrita musical está restrita a poucos conservatórios públicos e privados, a escolas superiores desigualmente distribuídas pelo território e a algumas iniciativas locais realizadas, especialmente, por instituições como as igrejas protestantes. A falta de um mercado de trabalho consolidado e de circuitos de apresentação adequados dificulta a afirmação profissional abrangente, com oportunidades iguais para todos os estratos demográficos e menos dependente do reconhecimento do exterior.
Cabe ao Estado fomentar e induzir a inversão desse cenário, com ações voltadas à ampliação da edição de partituras e registros sonoros e audiovisuais e ao aumento da oferta de cursos de formação técnica, profissional e superior. Além disso, é preciso dar apoio ao aprimoramento de solistas e conjuntos, constituir redes de salas para a circulação de espetáculos, estimular a difusão musical na mídia e no sistema de ensino formal e promover a organização, preservação e pesquisa de acervos.
Enquanto São Paulo concentrava em 2005 a maior oferta de graduação em música, com 47 cursos superiores, cinco estados do Norte não dispunham de nenhum curso desse tipo no mesmo período: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins. A distribuição das orquestras pelos municípios brasileiros espelha essa disparidade, enquanto as bandas de música são mais disseminadas pelo país.
Fontes: Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação 1995-2005 – INEP / Perfil dos Municípios Brasileiros, Cultura 2006 (MUNIC) – IBGE
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