Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento
A cultura digital, disseminada pela rede mundial de computadores e tecnologias afins, muda significativamente a forma como a gestão cultural deve encarar seus instrumentos e finalidades. De um lado, os novos meios criam a possibilidade de conservar e facilitar o acesso a amplos e valiosos acervos culturais que compõem o patrimônio do Brasil e da humanidade.
De outro, são apropriados por grupos e indivíduos como seu lugar de criação, de modo que o mundo digital se torna ele mesmo um novo campo onde formas de expressão e articulação das identidades são inventadas a todo o momento. O Estado deve garantir acesso universal e pleno às novas oportunidades criadas pela tecnologia. A chamada exclusão digital diminuiu nos últimos anos no país, embora permaneça significativa.
O desafio para a política pública voltada à cultura digital não se esgota nos programas de inclusão. Diz respeito também à articulação institucional necessária à promoção do livre uso das ferramentas tecnológicas na experiência cultural, por meio de programas de capacitação, sem deixar de lado o apoio ao desenvolvimento das linguagens de expressão e a oferta de conhecimentos de domínio público por meio das plataformas digitais.
Uma política de digitalização de acervos é indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictórica, gráfica e textual. Nesse contexto, a evolução da internet e da infra-estrutura de conexão em banda larga firmam-se como um instrumento estratégico para novas formas comerciais e não-comerciais de compartilhamento de cultura.
A adoção de novos aparatos de transferência e armazenamento da informação influencia as dinâmicas de consumo e faz surgir, em conseqüência, modelos de exploração econômica cada vez menos baseados na massificação e formas de sociabilidade e de construção de identidades independentes do espaço geográfico.
A convergência digital representa o ambiente contemporâneo de circulação da cultura, que deve ser observado sob uma perspectiva atenta à distribuição das tecnologias e às suas formas de utilização, bem como ao desenvolvimento de conteúdos, digitalização de acervos públicos e incentivos aos projetos experimentais.
Mais de 66% dos brasileiros nunca tiveram acesso à internet. O índice decorre de diversos fatores. A oferta de provedores, por exemplo, alcança apenas 45% dos municípios, enquanto os computadores estão disponíveis em menos de 20% dos domicílios.
Fontes:Perfil dos Municípios Brasileiros, Cultura 2006 (MUNIC) – IBGE / TIC Domicílios e Usuários 2006 – Comitê Gestor da Internet
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