Transformar o Brasil em um país de leitores
O Estado brasileiro tem uma dívida histórica com sua população que não se restringe à erradicação do analfabetismo absoluto. Também são questões que desafiam os gestores públicos a superação do analfabetismo funcional daqueles que dominam precariamente o alfabeto, e a reversão do analfabetismo
secundário daqueles que não praticam a leitura, por conta da desvalorização social dessa prática e da falta de acesso aos suportes da linguagem escrita.
São problemas que afligem, principalmente, as famílias de menor renda das periferias urbanas e das regiões mais pobres do país, e demandam amplas ações do Estado. Transformar o Brasil em uma sociedade leitora é condição fundamental para a qualificação da democracia e da relação com as artes, com o patrimônio histórico e cultural e com todas as formas de comunicação exteriores ao universo da escrita.
O estímulo à prática individual e social de leitura representa uma estratégia indispensável para a ampliação dos repertórios de interpretação do mundo e de formação de cidadãos capazes de identificar as oportunidades de solução dos problemas contemporâneos, a partir de uma cultura de paz, discernimento e
criatividade.
Nesse cenário, as bibliotecas assumem importância fundamental e necessitam ser convertidas em centros culturais dinâmicos, que articulem adequadamente a dimensão escrita da cultura com as dimensões tradicionais, populares e regionais, relacionando o alfabeto com as linguagens audiovisual e digital contemporâneas.
A biblioteca deve cumprir um papel fundamental na promoção da mobilidade social, disponibilizando gratuitamente os suportes de leitura às populações que não dispõem de recursos para adquirir livros. Esse objetivo depende da instalação de novas unidades e da revitalização das já existentes, para que possam qualificar o ambiente social e promover relações sociais mais justas.
Cerca de 10% dos brasileiros apresentam analfabetismo absoluto, situação comparável com a de populações da Europa Central durante o século XIX. O índice nacional de leitura, por sua vez, é de 1,8 livro per capita por ano, resultado inferior à média de 2,4 livros da Colômbia e de 7 livros da França. Embora seja o equipamento cultural mais espalhado pelo Brasil, as bibliotecas estão desigualmente distribuídas entre as regiões. Dos mais de 600 municípios que nunca receberam uma biblioteca, 405 ficam no Nordeste, e apenas dois no Sudeste. No que se refere ao mercado editorial, o preço médio do livro de leitura é bastante elevado para o poder aquisitivo das classes C, D e E. Por conta desses fatores, 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população.
Fonte: Coordenção Executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura
Participação do Leitor
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